O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 22/09/2020
Trem, avião, internet. Essas são algumas das invenções oriundas das Revoluções Industriais que permitiram um avanço na velocidade dos transportes e comunicação. A partir dessas tecnologias, surge a globalização, marcada pela disseminação de mercadorias e informações em diferentes locais do planeta. Contudo, nem todos esses produtos trouxeram impactos positivos para a população dos países. Sob tal ótica, os ultraprocessados causam graves prejuízos no padrão alimentar brasileiro, visto que eles contribuem para subalternização da cultura local e para o surgimento de doenças.
Inicialmente, a difusão de pratos estrangeiros corrobora para o enfraquecimento das práticas alimentares regionais. Em consonância com a Escola de Frankfurt, com a consolidação do capitalismo, surge a “Indústria Cultural”, que se caracteriza pela venda em massa de itens responsáveis pela propagação da ideologia e valores da classe dominante. Diante disso, as comidas processadas tiveram origem em países centrais, principalmente os Estados Unidos, e são fortemente apreciadas pela população, porquanto elas foram preparadas com o amplo uso de produtos químicos para melhorar o seu sabor e aparência. Nesse sentido, a culinária local, que conta com pratos mais naturais como a feijoada, buchada e acarajé, não consegue concorrer com os “cheeseburguers”, pizzas e bolos.
Outrossim, a saúde das pessoas é gravemente prejudicada pelo consumo de ultraprocessados. Por exemplo, o documentário “Super Size Me” retrata a experiência de Morgan Spurlock, um homem que passou 30 dias comendo apenas em redes de “fast food”, consequentemente ele ganhou peso, ficava cansado mais rápido e piorou nos resultados dos exames de sangue. Dessa forma, as substâncias comestíveis vendidas por grandes marcas internacionais contém grandes concentrações de sal, açúcar e gordura, componentes relacionados diretamente com a hipertensão, diabetes do tipo 2, aterosclerose e obesidade. Por conseguinte, o alto consumo de biscoitos recheados, sorvete, refrigerantes e outros itens ricos em calorias é um sério risco à saúde pública
É mister, portanto, tomar medidas que promovam o aprimoramento dos hábitos alimentares no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Saúde elaborar propagandas que incentivem uma redução no consumo de ultraprocessados por parte da população, por meio da apresentação de dados sobre a ligação entre esses e doenças, mostrando os seus impactos na qualidade de vida. Ademais, haverá a participação de nutricionistas que darão dicas rápidas de alimentos saudáveis, priorizando a recomendação de pratos e ingredientes locais. Espera-se, assim, fortalecer o padrão alimentar tipicamente nacional e amenizar o número de casos de cidadãos com patologias vinculadas à comida.