O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 14/08/2020

O programa de TV norte-americano “Quilos mortais” retrata pessoas que chegaram a um ponto extremo de obesidade, as quais, muitas vezes, beiram a morte. Além disso, o programa relata os hábitos alimentares desses indivíduos, demonstrando o contato constante com alimentos ultraprocessados. Dessa forma, percebe-se que, atualmente, o padrão alimentar brasileiro está seguindo essa diretriz alimentar, sendo constituído de diversas refeições danosas à saúde, podendo gerar muitas doenças e vícios em todas as parcelas da população.

É válido retratar, em primeiro plano, de que forma a inserção de ultraprocessados na dieta brasileira pode ocasionar problemas de saúde. De fato, alimentos prontos ou de fácil preparo são vistos como a melhor opção no contexto de vida atual, tanto pela facilidade e rapidez no consumo, quanto pelos preços baixos e acessíveis. Partindo desse preceito, as pessoas optam por um costume alimentar rico em ultraprocessados, os quais possuem substâncias nocivas à saúde humana, como os corantes e conservantes, além do excesso de sal, açúcares e gordura. Desse modo, o imediatismo, descrito pelo sociólogo Zygmunt Bauman, resulta em impactos negativos nos hábitos alimentares dos brasileiros, causando doenças cardiovasculares e, até mesmo, o câncer.

Cabe considerar, em segundo plano, o vício alimentar gerado pelos ultraprocessados, principalmente, na  fase infantil. Certamente, as embalagens chamativas e coloridas desses produtos aliadas a propagandas midiáticas feitas para persuadir seu telespectador — fenômeno descrito pela Escola de Frankfurt —, influenciam a vida nutricional de muitas crianças e adolescentes. Nesse contexto, uma má introdução alimentar pode gerar vícios, visto que pratos naturais não possuem um sabor tão intenso quanto os sintéticos, fazendo com que a criança prefira uma bolacha recheada, com baixo valor nutricional e excesso de gorduras, a uma fruta. Ademais, hábitos alimentares construídos na infância definem os gostos para toda a vida e, com essa tendência, são propiciados adultos viciados nos famosos fast-foods e com uma baixa consciência alimentar.

Mediante o exposto, pode-se concluir que os ultraprocessados geram diversos impactos à saúde de seus consumidores, sendo esses pobres em nutrientes e acarretadores de enfermidades. Logo, é dever do Ministério da Saúde promover campanhas de conscientização alimentar, por meio de palestras e rodas de conversa em escolas públicas e privadas, além do incentivo à propagandas com conteúdos que busquem o estímulo à adoção de dietas mais saudáveis por parte da população. Espera-se que, a partir dessa medida, a sociedade entenda os riscos da ingestão desse tipo de alimento e, assim, possam criar hábitos mais benéficos à saúde.