O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 16/08/2020
Em termos culturais, todos os países possuem dietas típicas baseadas na disponibilidade geográfica de alimentos e nas necessidades nutricionais da população. Contudo, com o advento da globalização, a homogenização de uma dieta rica em ultraprocessados ameaça trazer não só aos brasileiros, como aos demais contemporâneos, impactos negativos no que diz respeito aos padrões alimentares e, por conseguinte, atrasos no desenvolvimento infantil e econômico dentro do país.
A priori, a alteração da lógica alimentar brasileira pela adição de produtos ricos em açúcares e gorduras afeta, sobretudo, o desenvolvimento das crianças, por tratar de menos riqueza na composição nutricional. De fato, um estudo realizado por pesquisadores na Universidade de Bristol, na Inglaterra, associou dietas pobres em nutrientes na primeira infância à menores QI’s (quocientes de inteligência). Sobre isso, a própria ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) restringe a propaganda de produtos ultraprocessados no Brasil para público menor de 16 anos, tendo sido clara sua relação comprometedora do desenvolvimento físico e intelectual nas crianças.
Ademais, a presença desses produtos na dieta cotidiana é também óbice financeiro para a saúde pública. Sob essa perspectiva, uma pesquisa conduzida por pesquisadores norte-americanos defende que os Estados Unidos economizariam de 40 a 100 bilhões de dólares se subsidiassem a compra de frutas e verduras para a população. Em outras palavras, para a nação do ‘‘fast food’’, incentivar a adesão de alimentos saudáveis na dieta é uma alternativa benéfica a ambas a saúde dos cidadãos e a economia, o que prova o tamanho impasse da popularização dos ultraprocessados para qualquer país.
Dessa maneira, medidas são necessárias para impedir a constante dos produtos altamente processados na dieta média nacional. Portanto, é de responsabilidade do Congresso Nacional, a partir da aprovação de subsídios na compra de frutas e verduras por todos os brasileiros, ainda com especial acréscimo de 15% a pais de crianças entre 1 e 12 anos e doentes crônicos, garantir a presença de alimentos saudáveis na mesa dos cidadãos. Assim, finalmente, serão combatidos o avanço e os impactos dos produtos ultraprocessados no país, de modo a conferir um padrão alimentar mais limpo e equilibrado para a sociedade brasileira.