O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 22/08/2020
Inserto no pensamento do filósofo Immanuel Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.”. Contextualizada, a sentença mostra o impacto da educação na socialização do indivíduo e, paralelamente, ao seu comportamento em relação a si mesmo. Com efeito, a socialização de um sujeito impacta todas as áreas de sua vida, desde as mais primitivas e características - como modo de agir e vestir - até comportamentos naturais e culturais - como o ato de comer - gerando um padrão social de ações, como o consumo de ultraprocessados na dieta brasileira e, consequentemente, o aumento de doenças associadas ao corpo e à mente.
Em primeiro plano, vale ressaltar a influência da mídia no padrão de consumo alimentar brasileiro. Um estudo promovido na Universidade de Michigan mostra como a aparição de marcas de fast food em grandes mídias - como a televisão - ajudam na associação dos anúncios transmitidos com a área do cérebro responsável pela recompensa, o corpo estriado. Segundo a professora Ashley Gearhardt, diretora do estudo, “Os anúncios de fast food são preparados para que você seja motivado a buscar comidas ultraprocessadas.” mostrando a adentragem desses comerciais no corpo estriado, promovendo o consumo por ultraprocessados e, sucessivamente, um comportamento compulsivo.
Ademais, a influência dos ultraprocessados na dieta brasileira é dada, principalmente, pela negligência e abuso de poder governamental. Em estudo dirigido pela Universidade de São Paulo, se é compartilhado a perca do consumo de comidas regionais e tradicionais - como a farinha de mandioca, arroz, feijão - e substituição destas por produtos criados pela indústria. Ao analisar esses dados, nota-se a relação das indústrias para com o Governo na promoção e emancipação de produtos que promovam a perca da identidade nacional, tendo em vista que são os mais caros, mais lucrativos e mais bem recebidos aos cofres públicos - embora prejuciais à saúde do consumidor.
Impede, portanto, que o Governo Federal atue na valorização de produtos nacionais e culturas regionais em colaboração com governos Estaduais, visando emancipar dietas mais baratas, menos prejudiciais à saúde dos consumidores. Quiçá, é de extrema necessidade que a mídia atue menos ardilosamente em suas propagandas, tendo em vista que o público que as consome é cada vez mais jovem e, com isso, cada vez mais influenciável. Essa iniciativa deverá ser fiscalizada e colocada em prática pelos Poderes Executivo e Judiciário, visando aniquilar o impacto dos ultraprocessos na má saúde público e na negligência governamental de vez; evitando, assim, que áreas como o corpo estriado não sejam afetadas desde a infância, como estudo promovido pela professora Ashley Gearhardt.