O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 21/08/2020

Os alimentos ultraprocessados são aqueles que passam por muitas técnicas de processamento e adição de ingredientes, que mudam suas composições nutricionais, aromas, texturas, cores e prazos de validade. Em muitos casos, essas alterações são desfavoráveis e afetam os nutrientes originalmente fornecidos pelos alimentos, o que traz profundos impactos à saúde do consumidor. Dessa forma, o consumo de alimentos ultraprocessados deve ser desestimulado e evitado, visando diminuir seu impacto negativo no padrão alimentar brasileiro.

O processamento surgiu como uma alternativa à necessidade de conservar alimentos durante longos períodos, para que seu consumo fosse possível mesmo em condições extremas, remotas e de pouco ou nenhum acesso. De acordo com a Plataforma de Inovação Tecnológica da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, esse processamento acontece desde a pré-história, e com o avanço da ciência dos alimentos, ele foi sendo aprimorado e se tornando mais recorrente. No Brasil, o consumo de ultraprocessados cresceu 4,3% em 2018, e tende a crescer ainda mais, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA).

Esse crescimento no consumo de alimentos ultraprocessados também é extremamente prejudicial à saúde. Uma pesquisa realizada pela USP e publicada pelo British Medical Journal (BMJ) em 2019 mostra que um acréscimo de apenas 10% na participação de ultraprocessados na alimentação aumenta significativamente os riscos de desenvolvimento de qualquer doença cardiovascular em 12%, além de causarem muitos danos ao meio ambiente. Outro estudo, realizado por pesquisadores espanhóis e publicado também no British Medical Journal (BMJ) revela que o consumo de mais de quatro porções de ultraprocessados por dia aumenta a possibilidade de morte por qualquer motivo em 62%.

Dessa forma, o consumo desses alimentos ultraprocessados se revela profundamente danoso à saúde e ao meio ambiente, e também em constante crescimento entre o padrão alimentar brasileiro. Assim, o Ministério da Saúde deve criar programas de incentivo e educação para estimular uma alimentação mais saudável, através de uma maior acessibilidade no custo dos alimentos naturais e minimamente processados, e aos seus benefícios, para toda a população. Com isso, o padrão alimentar brasileiro irá se tornar gradualmente mais saudável e acessível.