O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 20/08/2020
Não é de hoje, que a indústria alimentícia vem ditando e expandindo o mercado de consumíveis na sociedade processando a maioria dos alimentos vendidos, a fim de conferir um tempo de vida maior e melhor aparência destes produtos. Entretanto, o impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro vem se tornando cada dia mais visível e prejudicial, uma vez que, vem substituindo os alimentos in natura na mesa da população em virtude do pensamento moderno, praticidade e acessibilidade que esses produtos trazem em relação aos orgânicos.
A princípio, podemos pegar como exemplo o artigo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2014, apoiado pela professora da Unifesp, Maria Laura da Costa Louzad, sobre o aumento da obesidade no Brasil, como consequência do crescimento dos processados e ultraprocessados, de forma que mostra nos últimos 30 anos um crescimento na taxa de sobrepeso aproximada em todas as classes sociais em 57% dos homens e 59% das mulheres acima do peso ideal. Isso demonstra o crescimento do mercado de alimentos, mas, também, uma produção que se preocupa muito pouco com o que se usa e mais com o que se apresenta. Além disso, é muito mais atrativa , muitas vezes, uma carne processada de certos animais que chegam a ter gostos e aspectos diferentes de quando não são ultraprocessadas. Um exemplo é a própria salsicha, que tem só 75% das coisas usadas nas fábricas quando fabricada em casa.
Em sequência, outro problema que deve ser ressaltado é a facilidade de se adquirir produtos deste gênero, uma vez que para famílias de renda baixa, muitas vezes sai mais barato comprar um saco de 5 quilos de arroz processado que sai pelo mesmo preço do saco de 1 quilo do orgânico. Em sequência, segundo outro dado do IBGE de 2019, as famílias brasileiras gastam cerca de 25% a 40% da sua verba em comida, o que varia de acordo com a região e cotidiano, mas a questão que fica é o motivo pelo qual cerca de quatro quintos desse valor são gastos em comida não in natura. A fim de explicar isso, em uma entrevista à Band, o gastrônomo Érick Jacquin disse “As pessoas comem primeiro com os olhos”, o que no século XXI é verdade, já que muito se acredita na estética e se confia na qualidade do produto através da embalagem.
Em resumo, retomando tudo até aqui dito, pode-se concluir que esses tipos de alimentos ultraprocessados são nocivos a nossa saúde e bem estar. Para combater isso, o governo deveria colaborar com a indústria alimentícia apoiando a produção de alimentos in natura por um preço acessível a partir de projetos fiscais e regulamentação de produção, assim como promover campanha afim da população se interessar em produtos menos industrializados com apoio das redes sociais .