O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 17/08/2020

Em termos culturais, todos os países possuem dietas típicas, que são determinadas com base na disponibilidade geográfica de alimentos e nas necessidades nutricionais da população. Contudo, com a globalização, a homogeneização de uma dieta rica em ultraprocessados ameaça trazer não apenas aos brasileiros, como aos demais contemporâneos, impactos negativos no que diz respeito aos padrões alimentares e, por conseguinte, atrasos no desenvolvimento infantil e econômico no país.

A priori, a alteração do padrão alimentar brasileiro, com a adição de produtos ricos em gorduras e açúcar afeta, principalmente, o desenvolvimento dos menores metabolismos, os infantis. De fato, um estudo realizado por pesquisadores na Universidade inglesa de Bristol associou dietas pobres em nutrientes na primeira infância à menores QIs (quocientes de inteligência). Sobre isso, a própria ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) restringe a propaganda de ultraprocessados no Brasil para público menor de 16 anos, tendo sido clara a sua relação comprometedora da evolução física e intelectual das crianças.

Ademais, a presença desses produtos na dieta cotidiana também é óbice financeiro para a saúde pública. Sob essa perspectiva, uma pesquisa conduzida por pesquisadores norte-americanos defende que os Estados Unidos economizariam de 40 a 100 bilhões de dólares se subsidiassem a compra de frutas pela população. Em outras palavras, para os fundadores da ‘’fast food’’, incentivar a adesão de alimentos saudáveis na dieta é uma alternativa benéfica tanto para a saúde dos cidadãos, como para a economia, o que expõe como grande obstáculo à concretização dessa realidade, a popularização dos produtos ultraprocessados no padrão alimentar de qualquer país.

Dessa maneira, medidas são necessárias para impedir a constante dos produtos altamente processados na dieta média nacional. Portanto, é de responsabilidade do Congresso Nacional, a partir da aprovação de emendas que determinem subsídios para a compra de frutas e verduras a todos os brasileiros, com especial acréscimo de 15% aqueles que se declararem pais de menores de 12 anos ou doentes crônicos, garantir a presença de alimentos saudáveis na mesa dos cidadãos. Assim, finalmente, serão combatidos o avanço e os impactos dos produtos ultraprocessados no país, de modo a conferir um padrão alimentar mais limpo e equilibrado para a sociedade brasileira.