O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 18/08/2020

Os produtos ultraprocessados (UPP) referem-se a formulações da indústria, feitos a partir de substâncias derivadas de alimentos. Nas últimas décadas ocorreram mudanças no padrão alimentar da população brasileira, caracterizado pela diminuição do consumo de alimentos in natura e minimamente processado e aumento do consumo de ultraprocessados, que começaram a  aparecer mais após a Segunda Guerra Mundial. Esses alimentos podem gerar inúmeras doenças, diminuir a expectativa de vida e consequentemente aumentar a taxa de mortalidade.

Embora ainda sejam poucos estudos que avaliam o consumo individual dos produtos UPP, sabe-se que a disponibilidade domiciliar dos mesmos aumentou junto à prevalência do excesso de peso. Segundo dados da Pesquisa de Orçamento Familiar, 14% das crianças brasileiras de cinco a nove anos apresentaram obesidade e 33,5% excesso de peso. Esse cenário se mostra preocupante, uma vez que o estado nutricional e o padrão alimentar adquirido na infância tendem a permanecer na vida adulta.

Estima-se que dois terços das doenças crônicas no mundo (incluindo diabete, hipertensão, colesterol alto e diversas outras complicações cardiovasculares, além de vários tipos de câncer) estão relacionados a maus hábitos alimentares. E um dos hábitos alimentares mais nocivos à saúde atualmente, segundo os pesquisadores, é justamente o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, que estão majoritariamente presentes na dieta dos jovens.

A venda de produtos ultraprocessados também está ligada ao capitalismo e marketing, como por exemplo a Coca-cola. Ademais, por possuir altos valores calóricos e energéticos são os favoritos das crianças, e tendem a ser mais consumidos muitas vezes por influência delas, diz estudo da Universidade Federal de Santa Catarina.

Para mudar esses hábitos, é de suma importância que haja uma grande conscientização por parte da população, principalmente da população infantil, porque é mais fácil instaurar um hábito do que mudá-lo. Para isso, o Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde, precisam desenvolver um projeto de lei que possibilite que as merendas escolares sejam distribuídas com a mínima quantidade possível de carnes vermelhas e alimentos processados, ademais, que sejam frequentes (tanto em instituições públicas quanto particulares) as palestras sobre o consumo de processados, carnes, veganismo e vegetarianismo.