O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 21/08/2020
As transformações sociais e econômicas a partir do surgimento da globalização e industrialização, resultaram em mudanças no consumo alimentar, surgindo assim, os alimentos ultraprocessados, que são formulações da indústria, feitos em sua maioria a partir de ingredientes e aditivos, e contendo pouco ou nenhum alimento integral, como é o caso dos refrigerantes, e dos salgadinhos. Dito isso, é importante refletir sobre o impacto do consumo desses alimentos, e como a mídia está presente nesta questão, pois nas últimas décadas, há uma interferência, principalmente, na saúde individual, provocando a deficiência energética, carência nutricional, sobrepeso e obesidade.
Dito isso, de acordo com uma pesquisa feita pela UOL, cerca de 15% das crianças e 8% dos adolescentes sofrem de problemas de obesidade, e oito em cada dez adolescentes continuam obesos na fase adulta. Estes dados são um reflexo de como os alimentos ultraprocessados impactam na saúde, uma vez que tais alimentos possuem altos níveis calóricos e baixo valor nutritivo. Assim sendo, os jovens representam um grupo de vulnerabilidade nutricional, pois possuem suas necessidades energéticas elevadas. Este é um dado preocupante que precisa ser mudado.
Além disso, a mídia é muito atuante na influência do comportamento alimentar do brasileiro. Para Pierre Bourdieu, o poder simbólico consiste em mecanismos de poder e dominação por meio de discursos e formas de se comunicar. De maneira semelhante, muitas vezes, o poder midiático, financiado pelo empresariado brasileiro, investe em propagandas alusivas e criativas para atrair a população a consumir esses alimentos ultraprocessados, o que faz da mídia um obstáculo para o avanço do consumo de alimentos saudáveis. Por consequência, a sociedade, por estar sempre em contato com as redes de comunicação, torna-se refém dessas propagandas nada comprometidas com a saúde, o que faz com que o impacto negativo na saúde aumente muito mais.
Desse modo, é evidente que os alimentos ultraprocessados são um problema, principalmente na saúde, e em sua maioria entre jovens, fato que precisa ser mudado. O estado, em parceria com setores alimentícios, deve estabelecer melhores diretrizes nutricionais, por meio da criação de leis para alterar a tabela nutricional dos produtos, tornando-os mais saudáveis, a fim de resguardar a saúde da população. Somado a isso, o Governo Federal, em conjunto às ONG’s, deve fortalecer a importância da relação da vida saudável com bons hábitos alimentares, por meio de propagandas e até mesmo pela criação de programas televisivos, com o objetivo de incentivar ainda mais o comportamento alimentar brasileiro.