O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 21/08/2020

Os alimentos ultraprocessados são concepções da indústria, fabricadas em sua maioria ou totalmente a partir de ingredientes e aditivos e contendo pouco ou nenhum alimento integral, como é o caso dos refrigerantes, do macarrão instantâneo e dos salgadinhos.

O impacto do aumento no consumo de ultraprocessados pelos brasileiros nas últimas três décadas atua tanto na saúde individual quanto em aspectos coletivos, como a cultura alimentar, a vida social e o meio ambiente . São muito pobres em fibras (essenciais para a prevenir as doenças do coração, diabetes e vários tipos de câncer) e suas características estimulam o consumo excessivo de calorias.

As taxas de doença cardiovascular foram de 277 por 100 mil pessoas por ano entre aqueles que consumiram os alimentos mais ultraprocessados, comparados com 242 por 100 mil entre aqueles que comeram menos. Mathilde Touvier, da Universidade de Paris, diz à BBC News: “O rápido e crescente consumo mundial de alimentos ultraprocessados, em detrimento de alimentos menos processados, pode gerar um número maior de doenças cardiovasculares nas próximas décadas”.

Portanto, é difícil combatê-los exatamente pelos atributos exaltados nas propagandas - “irresistível” ou “impossível parar de comer” são lugares-comuns dos anúncios de ultraprocessados, que são alimentos ultra saborosos, em geral vendidos em grandes porções, duráveis e convenientes. Por isso o guia é super importante do ponto de vista da regulação, de informar as pessoas para se contrapor ao estímulo da indústria, para explicar de que forma as características sensoriais desses produtos e as estratégias agressivas de marketing contribuem para o crescimento acelerado do consumo desses produtos no Brasil.