O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 30/08/2020
Conforme a mestre em ciências gastronômicas Bela Gil, é possível mudar o mundo por intermédio da alimentação. De fato, a sociedade atual, acelerada e sintética, está repleta de problemas relacionados aos hábitos alimentares e ao consumo excessivo de ultraprocessados. Apesar de haver facilidade no acesso a informações sobre o impacto de suas dietas, ainda é notável a preferência da população brasileira por um padrão de práticas mais confortáveis e menos saudáveis.
Em primeiro lugar, é necessário introduzir o conceito de tripé da sustentabilidade, criado em 1990, para questionar o impacto do consumo de alimentos ultraprocessados hodiernamente. Em suma, para que uma atividade seja correta, ela deve garantir o bem-estar social, ambiental e econômico. Conquanto, além de não fazerem bem à saúde das pessoas, as substâncias industrializadas são ruins para o meio ambiente e para a economia, pois geram inúmeros resíduos e requerem muita água e energia durante o processo de fabricação. Adicionalmente, uma população que não possui nutrição saudável causa milhões de gastos ao sistema de saúde do país. Com isso, observa-se que mudanças no hábito alimentar são de extrema importância para caminhar em uma direção correta e sustentável.
Desse modo, é imprescindível destacar a influência da publicidade e da formação educacional dos indivíduos nesse cenário, visto que a sociedade que busca o consumo hiperbólico é estimulada, principalmente, pelo corpo social e pela mídia. Comer uma comida saborosa, mesmo que ela apresente tantos efeitos negativos, é associada ao prazer imediato, confirmando a análise do sociólogo Zygmunt Bauman sobre o fato de vivermos em tempos líquidos, em que o hedonismo e o imediatismo predominam sobre a preocupação com o futuro. Nesse sentido, é possível perceber que os indivíduos optam por uma dieta industrializada, em sua maioria, por ser mais apetente e por encararem, culturalmente, tais alimentos como essenciais em sua casa
Logo, conclui-se que para o combate à liquidez citada, uma solução é a educação, berço de todas as mudanças sociais, de acordo com o educador e filósofo Paulo Freire. Para que os hábitos alimentares sejam repensados, a ingestão de alimentos ultraprocessados seja reduzida e o conhecimento das pessoas sobre consumo responsável aumente, urge que o Ministério da Educação promova palestras, campanhas, atividades lúdicas e debates nas escolas, construídos com a participação dos estudantes e das famílias. A ideia é que, por meio de professores e nutricionistas, seja apresentado o tema e os impactos que ele gera, além de alternativas criativas como uma única semana sem consumir esses pratos e experimentar outros produtos mais naturais e nutritivos. Tais mudanças poderão, enfim, impactar positivamente e ajudar a lapidar um mundo mais equilibrado e sustentável.