O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 27/08/2020
O documentário “Famintos por mudança”, produzido por Mark Bittman, demonstra os malefícios de uma dieta pautada em alimentos ultraprocessados na vida dos indivíduos. Nesse contexto, percebe-se um aumento do consumo desses produtos pelos brasileiros. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática está relacionada à falta de tempo das pessoas e ao uso massivo de propagandas pelas empresas que produzem esses alimentos.
Inicialmente, é importante ressaltar que a escassez de tempo no decorrer do dia faz com que as pessoas optem ao consumo de alimentos fabricados. A exemplo disso, os dado divulgados pela Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, no qual afirma que, aproximadamente, 20% das calorias consumidas são provenientes desses alimentos e atrela-se a isso à falta de tempo para a realização de uma alimentação saudável. Analogamente, tal fato é evidenciado no documentário “Famintos por mudança”, em que os entrevistados afirmam que são sobrecarregados com atividades laborais e isso gera uma falta de tempo, o que impede a realização de uma alimentação mais adequada devido a versatilidade e praticidade que os produtos ultraprocessados proporcionam. Desse modo, há uma elevação do consumo desses alimentos na sociedade, o que ocasiona problemas relacionados a obesidade e a hipertensão em razão dos compostos químicos que esses produtos possuem.
Ademais, é imperativo pontuar que o uso excessivo de propagandas intensificam o consumo de alimentos industrializados pela sociedade. Tendo como exemplo disso, a declaração do professor de técnica publicitária na Escola de Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo, Gian Giacomini Filho, no qual afirma que, um anúncio de produto alimentício tem o potencial de exercer pressão psicológica em todas as pessoas. Isso acontece, porque as empresas utilizam diversos artifícios para seduzir o consumidor, em que produzem imagens elaboradas e omitem as propriedades negativas dos alimentos fabricados, como o alto teor de sal, açúcar e gordura. Com isso, apoiados nesses anúncios, os indivíduos consomem produtos com uma nutrição pouco saudável.
Portanto, é notório que a falta de tempos das pessoas e o uso excessivo de propagandas aumentam o consumo de alimentos ultraprocessados no país. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com a Anvisa, intensificar as propagandas informativas sobre os riscos do consumo desses produtos alimentícios, por meio da divulgação nos principais canais de comunicação, a exemplo de televisão, rádio e redes sociais, que instruam sobre as diversas estratégias para a redução dos alimentos industrializados a fim de diminuir a ocorrência de doenças relacionadas a obesidade e a hipertensão. Logo, a população fará uma alimentação mais saudável.