O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 14/09/2020

O padrão alimentar no Brasil mudou consideravelmente nas últimas décadas. Se antes a maior preocupação era a fome que assolava milhões de cidadãos, hoje cresce o entendimento que o desafio para este século será a qualidade da comida dos brasileiros, pois, segundo o instituto brasileiro de geografia e estatística, está crescendo o consumo de alimentos ultraprocessados no país, sendo estes alimentos ricos em ingredientes que podem gerar o agravar problemas de saúde. Tal situação é resultado do baixo preço destes alimentos e a falta de uma política de educação alimentar nas escolas.

No Brasil contemporâneo, segundo pesquisa do Instituto DataFolha, 86 por cento dos brasileiros têm uma renda mensal que não chega ao valor de quatro salários mínimos, o que transforma o gasto com alimentação em uma preocupação e faz a tendência de buscar opções de alimentos mais baratas inevitável. Tal necessidade de alimentos de menor valor faz com que os ultraprocessados sejam uma opção para milhares de famílias, tanto pelo seu preço quanto pela praticidade. Contudo, a frequência de tal escolha certamente traz riscos para a saúde dessas famílias, como a obesidade, hipertensão e diabetes, doenças diretamente ligadas a uma alimentação de baixa qualidade.

Concomitante a isso, como bem ilustrado pelo documentário “Muito além do peso”, onde em determinada cena um indígena diz acreditar que o macarrão instantâneo é um alimento saudável por ser gostoso, a vasta maioria dos brasileiros não possuem o conhecimento necessário para fazer melhores escolhas na hora de se alimentar, não conhecendo a diversidades de alimentos existente no país e  como prepará-los, ficando à mercê de alimentos ultraprocessados de sabor agradável, que são mostrados constantemente na televisão e em outras formas de entretenimento em propagandas apelativas as quais possuem com  público alvo as crianças e demais pessoas com menor senso crítico em relação a própria alimentação.

Neste contexto, urge-se que o Ministério da saúde inclua no currículo escolar, principalmente nas séries iniciais, programas de educação alimentar afim de que estas crianças possam fazer escolhas mais conscientes quando forem mais velhas e até mesmo auxiliar os seus pais nas deles. Além disso, é necessário que Agência Nacional de Vigilância Sanitária crie selos para alimentos que deixem claro o excesso de ingredientes que podem ser prejuduciais à saúde, como gorduras, açúcares e sódio. Tal medida já foi implementada com sucesso no Chile e no Brasil já há precedentes parecidos, como as propagandas utilizadas nos versos de caixas de cigarro e os avisos em alimentos que utilizam transgênicos em sua produção. Somente assim poderemos garantir que os brasileiros escolham seus alimentos de maneira mais consciente e dependam menos dos ultraprocessados em suas refeições.