O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 24/09/2020
O artigo 196, da Continuação Cidadã de 1988, assegura o pleno direito à saúde. Entretanto, tal garantia encontra-se, atualmente, deturpada, visto que o advento de alimentos industrializados subtrai tais direitos, originando cidadãos de papel, segundo o escritor Gilberto Dimenstein. Dito isto, faz-se necessário discutir-se os impactos danosos dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro: o aumento da obesidade e a inércia familiar no que concerne o consumo dessas substâncias.
Em primeira instância, é fulcral expender um dos efeitos colaterais que tal problemática gera: a obesidade. Nesse viés, o documentário “Muito além do peso” aborda tal questão e seus danos à saúde individual, como a ascensão de riscos de doenças cardiovasculares, dificuldade em exercer atividades - motivada pelo peso excessivo - ou até mesmo o óbito. Sendo assim, é evidente que o consumo de alimentos processados industrialmente causa sérios problemas à saúde pública, gerando cidadãos de papel e, concomitantemente, a negligência empresarial no que diz respeito aos direitos constitucionais.
Ademais, é possível averiguar-se que o padrão alimentar é diretamente influenciado pela família. Nesse panorama, no artigo “Violência epidêmica” - escrito por Dráuzio Varela - é preconizada a tese de que o desenvolvimento físico e psicológico das crianças acontece por imitação, ou seja, pela perpetuação de hábitos familiares. Sob essa tese, depreende-se que, se uma família possui a cultura de consumir alimentos processados, isso pode ser transmitido às próximas gerações, gerando uma inércia que pereniza esse fator cultural, o que precisa, urgentemente, ser rompido.
Portanto, é necessário que as empresas produtoras desses alimentos alertem os consumidores, de forma clara, as substâncias que ali estão presentes, bem como os riscos que seu consumo excessivo pode promover. Tal medida deve ser feita por meio das embalagens dos produtos alimentícios, com o objetivo de gerar senso crítico e reflexão no momento da compra, o que reduzirá significativamente o consumo demasiado dessas substâncias e, consequentemente, a obesidade, além de romper o padrão alimentar de famílias consumidoras desses produtos. Somente assim, os cidadãos de papel não continuarão sendo uma realidade brasileira, tendo em vista a efetivação das Cláusulas Pétreas nacionais.