O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 22/09/2020
O filósofo francês Sartre, defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, visto que é livre e responsável. No entanto, observa-se a irresponsabilidade da sociedade no que tange ao elevado consumo de alimentos industrializados. Esse cenário é fruto tanto da má influencia midiática, que promove o incentivo do consumo de produtos industrializados, quanto da falta de informação dos cidadãos acerca dos ingredientes e nutrientes presentes nos alimentos ingeridos.
Em abordagem inicial, vê-se que os veículos de comunicação (televisão, jornais, revistas) corroboram para o atual quadro alimentar na sociedade brasileira. Nesse sentido, ganha voz o pensamento do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o qual defendeu que o que foi criado para ser instrumento de democracia, não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Na esteira dessa ideia, nota-se que o papel exercido pela mídia ao realizar inúmeras propagandas de incentivo ao consumo de alimentos industrializados reflete essa disfunção, visto que deveria refutar esses hábitos alimentares.
Além disso, grande parte dos consumidores brasileiros não possuem conhecimento/informação dos produtos que estão sendo ingeridos, visto que a indústrias alimentícias não se preocupam com a nutrição adequada da sociedade, mas somente com o lucro obtido. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através deste trecho do poeta modernista brasileiro Carlos Drummond de Andrade, observa-se que o descaso das empresas de alimentos em fornecer informação de qualidade aos seus consumidores funciona como um empecilho na diminuição do consumo de ultraprocessados, visto que as indústrias limitam-se na obrigatoriedade da tabela nutricional presente nos alimentos. Assim, é visível que esse cenário de descaso requer mudanças.
Infere-se, portanto, que urgem medidas efetivas que visem mitigar a presença de alimentos industrializados no padrão alimentar brasileiro. A priori, compete ao Ministério das Comunicações, em parceria com a mídia, a diminuição do número de propagandas alimentícias de ultraprocessados, por meio da elaboração de um decreto que proíba a exibição desses tipos de anúncios em horário comercial, com o intuito de incentivar a sociedade brasileira em optar por alimentos mais saudáveis/nutritivos, fazendo com que haja diminuição no consumo de industrializados. Com essas ações, espera-se transformar o atual padrão alimentar brasileiro.