O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 29/09/2020

“Três quilos de sorvete dentro de uma melancia e mergulhar numa piscina cheia de Coca-Cola”. Na música popular ‘‘Eu quero é mais", de Sandy e Júnior, são citados diversos alimentos ultraprocessados e, consequentemente, de alto teor calórico. Dessa forma, torna-se relevante pensar nos impactos desse tipo de alimentação no cenário brasileiro, uma vez que a construção político-educacional acerca do assunto é escassa e, também, o potencial de naturalização dessa cultura alimentar é grande. Logo, cabe analisar o cenário atual e estabelecer alternativas para esse entrave.

Primeiramente, vale destacar que, em função da falta de tempo na contemporaneidade, a demanda por produtos de rápido preparo cresceram. Contudo, o grande problema está na negligência quanto aos males da ingestão excessiva desses, o que pode resultar em maior risco do aparecimento de doenças cardiovasculares, de acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo. Entretanto, essas pautas não recebem o devido destaque nas escolas e, geralmente, são esmagadas pelo grande descaso governamental. Isso ressalta que a saúde, em todas suas esferas, não é uma prioridade política, haja vista que não há incentivos para a redução do consumo de ultraprocessados.

Sob esse viés, por causa do descaso governamental e pela demanda crescente desses alimentos, ocorre a difusão de um padrão alimentar não saudável no Brasil. Tal cenário se dá porque, consoante ao filósofo Pierre Bordieu, no conceito ‘‘Habitus", o cidadão internaliza e reproduz características do meio no qual está inserido, de modo a fazer manutenção do ciclo vicioso alimentar. Por conseguinte, desde a infância, a criança recebe influências visuais da comida dos responsáveis, o que estimula a curiosidade dessa em experimentar os processados. Assim, os riscos de doenças, como diabetes ou obesidade, aumentam precocemente e configuram uma menor qualidade de vida ao indivíduo. Diante disso, observa-se a necessidade de combater o vício da má alimentação.

Portanto, para inibir os impactos dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro, faz-se necessário habilitar medidas. O Ministério da Educação deve, por meio de insumos governamentais, fazer palestras com nutricionistas nas escolas, de modo a esclarecer-desde a infância- os prejuízos do consumo excessivo desses produtos à saúde. Isso ocorrerá em forma de debates dinâmicos, a fim de que o público leve conhecimento a seus parentes, diminuindo o ciclo vicioso da má alimentação. Somado a isso, a mídia precisa, em programas populares, ensinar mais receitas saudáveis, com bom teor calórico e que apresentem agilidade no preparo. Assim, a população será estimulada a investir na mudança de seus hábitos, o que diminuirá progressivamente os riscos de doenças.