O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 13/10/2020
Do imaginário do escritor Joey Ruby nasce “Scooby-Doo”, franquia estadunidense de animação, na qual os personagens Salsicha e Scooby alimentam-se, constantemente, de insumos modificados industrialmente. Saindo da ficção, nota-se que, no Brasil, devido à forte propaganda midiática e à escassez de conhecimento nutricional da população, esse cenário está longe de ser sanado. Essa realidade notifica um entrave para a economia e para a saúde, o que torna cabível a análise sobre os impactos dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Em primeiro plano, vale evidenciar as teorias da Escola de Frankfurt, corrente filosófica alemã que criticava a influência dos meios de comunicação sobre as pessoas, como válidas para o estudo em pauta. Nessa perspectiva, a partir do caráter alienante desses recursos tecnológicos, os indivíduos passaram a não procurar, muitas vezes, por informações coerentes, inclusive, no cunho alimentício. Nesse contexto, os cidadãos foram levados a buscar por insumos fáceis e de longa duração, fortemente expostos pela mídia, repletos de aditivos químicos e que podem prejudicar, gravemente, a economia. Tal fato pode ser confirmado com um estudo publicado pelo Jornal USP, no qual foi estimado que, em 2024, o preço desses alimentos será menor que o dos naturais, o que poderá reverter as porcentagens de consumo e, concomitantemente, comprometer o bem-estar físico da população; uma lástima.
Outrossim, além de fatores midiáticos e financeiros, eventos históricos relacionados à falta de conhecimento nutricional e abandono de medidas preventivas para a estabilidade da saúde, também impactam no padrão alimentar brasileiro. Dessa maneira, o processo de urbanização ocorrido no Brasil do século XX, precisamente nos governos Vargas e Kubitscheck, aceleraram o fluxo laboral, o que gerou nas pessoas, um descaso para com os cuidados em alimentação. Logo, a consciência do que deve ou não ser ingerido passou a ser substituída pela escassez de cautela, fato que distanciou a população dos insumos “in natura” e de nutricionistas, fato que não vai a encontro do pensamento do poeta português Abílio Guerra Junqueiro, que defendia a saúde como fundamental para a felicidade.
Destarte, é imprescindível que medidas são necessárias para combater os impactos negativos dos ultraprocessados para a alimentação brasileira, advindos de questões sociais e comprometem a estabilidade de setores fundamentais. É, válido portanto, que o Ministério da Saúde, por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS), promova a visita de médicos e nutricionistas nas residências dos vários logradouros pelo país. Quiçá, com o uso de equipamentos estatísticos, como calculadoras e fichas eletrônicas, será feito um balanço da ingestão desses insumos nas casas, prevenindo, futuramente, colapsos econômicos e doenças crônicas.