O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 13/10/2020

Na Constituição Federativa Brasileira, lei máxima do país, do ano de 1988, é afirmado em seu artigo 196, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Mas, essa concepção de saúde não vem sendo assegurada pelo sistema público brasileiro na atualidade. Percebe-se que o padrão alimentar da população tem se modificado, para o consumo preferencialmente por alimentos ultraprocessados, devido à influências externas e o governo não tem feito medidas eficazes para a promoção da saúde da população. Desse modo, percebe-se um problema de contornos específicos, determinados pela má influência midiática e pela lenta mudança na mentalidade social.

Em primeiro lugar, a má influência midiática tem contribuído negativamente para a questão. Nessa perspectiva, a máxima de Paul Goebbels, que foi político e propagandista do governo alemão, uma mentira repetida várias vezes, torna-se verdade, cabe bem nessa questão. A propaganda de alimentos enlatados, “fast food” e lanches em geral, tem influenciado o comportamento do brasileiro, a consumir tal tipo de alimentos e ocasionar problemas de saúde como obesidade e aumento da incidência de eventos cardiovasculares. Assim, cabe à mídia modificar o seu foco de atuação de modo a influenciar positivamente sobre uma alimentação saudável.

Em segundo lugar, a questão da lenta mudança na mentalidade social também é fator negativo para os impactos negativos no padrão alimentar. Associado a isso, tem-se uma alimentação pautada no excesso de sódio, gorduras, açúcar e carboidratos em excesso, pois a rotina agitada dos brasileiros os leva a consumir alimentos mais fácies e rápidos de preparar. Comprovando esse fato, observa-se a pesquisa da VIGITEL 2018 (órgão responsável por pesquisas na área da saúde relacionado à doenças crônicas não transmissíveis), de que o índice de obesidade no Brasil teve um aumento de 67%, do ano de 2006 a 2018, mostrando que as pessoas continuam se alimentando mal e aumentando o peso.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para reduzir os impactos relacionados ao excesso do consumo de alimentos utlraprocessados no Brasil. Para isso, as unidades básicas de saúde, devem realizar palestras com a população em geral, a fim de esclarecer melhor sobre uma alimentação saudável e os malefícios causados pelo consumo de comida inadequada. Essas palestras podem ser feitas por profissionais de saúde especialistas no assunto, como nutricionistas e endocrinologistas, além de ser webconferenciadas nas redes sociais do Ministério da Saúde, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e atingir um público maior. Por fim, é importante que o povo brasileiro se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, o primeiro passo para mover o mundo, é mover a si mesmo.