O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 18/10/2020
O longa animado “Tá chovendo hambúrguer”, se passa em uma sociedade pós III revolução industrial em que tecnologia e comida foram combinadas para produzir uma máquina que processa alimentos hipercalóricos no céu, o que resulta na destruição da cidade. Fora das telas, o consumo de ultraprocessados trás prejuízos ao padrão alimentar brasileiro, merecendo um olhar mais crítico de enfrentamento e debate acerca de suas causas e consequências.
Em primeiro plano, urge analisar o impacto do consumo na corroboração da problemática. Sobre isso, o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman trás à tona a máxima: “Consumo, logo existo”. Sob tal ótica, entende-se que o consumismo desenfreado observado na modernidade como forma de autoafirmação, aliado as redes de distribuição e venda de alimentos (supermercados) que produzem embalagens, cores e texturas que induzem a compra, resultam no aumento de pessoas ingerindo alimentos ricos em açúcares, óleos e componentes sintetizados em laboratórios. Torna-se necessário, então, a dissolução de tal conjuntura.
Outrossim, é válido ressaltar que essa alteração no padrão alimentar se constituí como um problema de saúde pública. De acordo com dados do Ministério da Saúde de 2017, 1 a cada 5 brasileiros está acima do peso. Desprende-se que, o aumento de cidadãos com sobrepeso impacta diretamente os cofres públicos pois os indivíduos tem maior propensão de adquirirem diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares, que terão que ser tratados pelo estado. Faz-se imprescindível a reconfiguração desse cenário.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar a problemática. Para tanto, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Saúde, propor sanções para empresas nacionais de produção e distribuição de alimentos. Tais leis irão estabelecer medidas que visem a conscientização da população, como a obrigatoriedade de mostrar na embalagem do produto, de maneira visível e clara, os riscos prováveis de sua ingestão à saúde mesmo a longo prazo. Espera-se, com essa ação, que os indivíduos reflitam sobre seus hábitos alimentares e tornem-se seletivos na escolha de suas refeições. Feito isso, os ultraprocessados não causarão tantos prejuízos quanto na animação.