O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 31/10/2020
Segundo a socióloga Hannah Arendt, na obra “A banalidade do mal”, quando atitudes depreciativas ocorrem de maneira constante, elas param de ser classificadas como incorretas. Sob esse prisma, infere-se que o consumo reiterado de ultraprocessados pela sociedade brasileira, majoritariamente pela parcela pobre, em função dos preços acessíveis deles, tornou-se um óbice normalizado. Ademais, infere-se que essas ações acarretam diversas doenças alimentares na comunidade.
Em primeiro plano, depreende-se que os baixos preços desse grupo alimentício tornaram-o atrativo para os indivíduos de classes sociais mais baixas, os quais não conseguem arcar com uma alimentação saudável, que é dispendiosa no Brasil.Tal relação torna-se evidente ao realizar-se um comparativo entre o preço de uma marca popularizada de arroz e o valor da mesma quantidade de macarrão instantâneo, a segunda opção mostra-se mais viável. Dessa forma, denota-se que a expansão do consumo de ultraprocessados no país em questão ocorreu em virtude dessa maior rentabilidade.
Em segundo plano, é necessário ressaltar que a deglutição exarcebada desse tipo de produto, em razão das altas quantias de sódio, açúcares e gorduras presentes neles, pode ocasionar diversas doenças alimentares. Em uma edição da revista em quadrinhos da “Turma da Mônica Jovem”, originalmente criada por Maurício de Sousa, é retratada a história de um adolescente que, em virtude do consumo excessivo de alimentos feitos em fábricas, desenvolve obesidade e precisa reorganizar sua vida para tratar a doença. Analogamente à ficção, diversos cidadãos brasileiros sofrem com o mesmo problema e, por esse motivo, torna-se prioritária a reversão desse cenário.
Em suma, com o fito de mitigar a problemática supracitada, o Ministério da Sáude deverá, por meio de incentivos fiscais, subsidiar produtos alimentícios saudáveis em regiões mais pobres do Brasil. Tal ação ocorrerá com o intuito de baratear esses produtos, transformando-os em mais acessíveis para a população vulnerável e, na mesma medida, tornando os ultraprocessados menos atrativos. Essa proposta deverá priorizar o subisídio de alimentos orgânicos. Dessa forma, o óbice que tinha sido banalizado poderá ser amplamente discutido e atenuado.