O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 16/11/2020
A Pasteurização, artifício físico-químico criado no século XIX, a fim de destruir microrganismos patogênicos, por meio da conservação pelo calor, foi um dos maiores avanços da humanidade, por permitir a segurança alimentar e a preservação da qualidade dos produtos alimentícios. No entanto, na conjuntura atual, o excesso de processamento dos alimentos, como a adição de sódio e de açúcar, tem acometido os cidadãos a diversas doenças relacionadas à alimentação inadequada. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do alheamento do Estado em garantir a segurança alimentar da população, mas também a falta de criticidade do corpo civil.
Em primeira análise, vale destacar que a Constituição Cidadã de 1988 garante a todos os indivíduos o acesso à alimentação adequada. Entretanto, a postura decadente do Estado em efetivar tal direito, seja pela falta de fiscalização, seja por ausência de leis que obriguem as empresas a excluírem formulações nocivas ao bem-estar social, como o abuso de sal e açúcar, põe a saúde dos cidadãos em risco, na medida em que amplifica doenças relacionadas a excessos e maus hábitos alimentares. Com efeito, nota-se uma problemática em cadeia, visto que o aumento de doenças como a obesidade e hipertensão gera uma sobrecarga do SUS - Sistema Único de Saúde - , uma vez que há uma extensão no número de enfermos à procura de atendimento. Dessa forma, observa-se que, enquanto o Estado não cumprir sua função social, a saúde populacional padecerá o descaso governamental.
Além disso, consoante às ideias do filósofo alemão Friedrich Hegel, todo homem é profundamente moldado pela sociedade e pelo período histórico em que vive. Seguindo essa linha de raciocínio, de acordo com o antropólogo Lévi Strauss, a alimentação, antes da primeira Revolução Industrial, era considerada sagrada e de grande importância na reunião familiar. Nessa perspectiva, a selvageria do capitalismo atual, em que cada indivíduo é aquilo que possui, as horas destinadas à refeição tem diminuído drasticamente ao longo das últimas décadas em função da extensão do tempo extra destinado ao trabalho. Dessa maneira, a indústria alimentícia se apossa da falta de criticidade do corpo civil acerca do valor da alimentação adequada e, assim, põe na mesa da população alimentos tóxicos à saúde.
Verifica-se, portanto, a necessidade de romper o mau hábito alimentar dos cidadãos. Para isso, faz-se imprescindível que o Poder Executivo