O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 17/11/2020

A questão do consumo indiscriminado de alimentos com alto teor de conservantes e sódio tem sido motivo de diversas discussões no cenário contemporâneo. No documentário “Muito Além do Peso”, é retratado que o grupo infantojuvenil está ingerindo cada vez mais cedo alimentos industrializados, o que repercutiu na substituição das refeições principais por lanches rápido como salgadinhos e refrigerantes. Isso revela como a nutrição tradicional está sendo colocada de lado enquanto a comida ultraprocessada recebe ainda mais espaço. Nesse viés, pode-se afirmar que a negligência familiar com a educação alimentar das crianças e a publicidade em torno dos industrializados incentivam a manutenção dessa realidade.

Em primeiro lugar, é inegável que a preferência pela comida com alto teor de conservantes faz parte de um perfil que começa a se desenvolver na juventude. Segundo a nutricionista Vanessa Manfre, a primeira infância é a etapa mais importante na educação alimentar, uma vez que é nesse momento que são formados os hábitos que repercutirão por toda vida. Nessa lógica, o favoritismo dos jovens pela comida processada mostra que os familiares e escolas não estão empenhados suficientemente na construção da base nutricional dos filhos e alunos, dado que ambos são os principais responsáveis por apresentar e inserir outras alternativas de comidas no cardápio do grupo infantojuvenil.

Ademais, é notório que muitos alimentos industrializados são acompanhados de brindes e prêmios que visam atrair consumidores. O Kinder Ovo é um chocolate em formato oval que quando se leva em conta apenas seu custo/benefício deveria ser desconsiderado pela maioria das pessoas, contudo, por conter um brinquedo junto ao chocolate, muitos pais o compram para seus filhos. Partindo dessa premissa, as empresas alimentícias estão empregando estratégias a fim de alavancarem suas vendas e lucros. Entretanto, percebe-se que parte do público-alvo dessas estratégias são as crianças e, por isso, é fundamental a existência de uma legislação que fiscalize e limite essas publicidades.

Portanto, diante dos fatos supracitados, medidas são necessárias para atenuar o consumo indiscriminado de comidas ultraprocessadas. Sendo assim, comprometido no propósito de mitigar esse impasse, faz-se mister que o Poder Público encaminhe capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido na elaboração de campanhas socioeducativas e projetos, através de uma conferência, que instruam as famílias a implementar uma dieta balanceada com outras opções no cardápio e prezar mais pelo valor nutricional a fim de desenvolver hábitos alimentares mais saudáveis nas crianças. Desse modo, será possível desmotivar a nutrição inadequada e reverter o impacto dessa problemática na realidade brasileira.