O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 29/11/2020
Ao longo da história, as revoluções tecnológicas e industriais não só alteraram as relações comerciais e de serviços, mas também transformou o ritmo de vida e o padrão alimentar dos brasileiros. Nesse aspecto, é válido analisar os efeitos negativos dos produtos ultraprocessados na alimentação dos indivíduos no que se refere aos maus hábitos alimentares e o desenvolvimento de patologias.
Em primeira análise, as doenças crônicas como a obesidade e o colesterol alto, por exemplo, são causadas pelo excesso do consumo de alimentos industrializados. Esse consumismo ocorre devido a rapidez do preparo aliada a praticidade de ingestão, no qual eles se tornam a melhor opção de comida para uma correria do dia a dia. Essa questão pode ser afirmada pelo doutor Dráuzio Varella, em que ele defende que os produtos ultraprocessados camuflam perigos à saúde humana em virtude da grande quantidade de conservantes e corantes artificiais presentes pois, ao passar dos anos, podem causar doenças crônicas e até um câncer. Dessa forma, é essencial que haja uma reeducação alimentar dos indivíduos para que se evite uma carência nutricional.
Além disso, a negligência da população quanto ao desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis também é um impacto negativo dessa problemática. Isso acontece porque muitos indivíduos, inseridos em um mercado de trabalho cada vez mais exigente, focam prioritariamente em seu desempenho profissional e se esquecem de cuidar da sua saúde física, visto que se tornam reféns da facilidade do consumo dos alimentos condimentados. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro “Tempos Líquidos”, é discutido que o individualismo tem levado as pessoas a mudarem o seu comportamento, optando por aquilo que é mais fácil, o que envolve também as formas de alimentação. Diante disso, a cultura do consumo excessivo dos fast-food tem tomado o espaço dos alimentos naturais, prejudicando, assim, o padrão alimentar saudável das pessoas.
Fica claro, portanto, a necessidade de reverter esse quadro mediante políticas públicas educativas e reguladoras. Cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Saúde, realizar palestras nas comunidades e nos shopping centers, com a presença de nutricionistas, que visem a conscientização da população sobre os malefícios das comidas industrializadas e a importância de adquirir hábitos alimentares saudáveis, objetivando atenuar o desenvolvimento de doenças crônicas. Ademais, é importante que esses órgãos elaborem uma estratégia de encarecimento dos alimentos processados, com o intuito de diminuir o consumo pelos indivíduos e a demanda da produção pelas indústrias, a fim de que esses produtos circulem em menos quantidade no mercado e a alimentação dos seres humanos se torne mais nutritiva e menos artificial.