O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 03/12/2020

Embora a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, trate a alimentação adequada como direito humano fundamental, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa prerrogativa, principalmente no que diz respeito ao crescimento significativo do consumo de alimentos nocivos à saúde, os ultraprocessados. Isso acontece não só devido a um governo omisso quanto à qualidade de vida da sociedade brasileira, mas também por efeito da falta de criticidade do corpo civil.

Primordialmente, é valido destacar que a comida ultraprocessada - a qual tem sua composição alterada, por meio da adição de açúcar, de gorduras e de conservantes, com a finalidade de aumentar seu prazo de validade em detrimento do seu valor nutricional - tem ocupado cada vez mais espaço na dieta brasileira. Sob esse viés, segundo o portal G1, em 2020, mesmo ciente de todos os malefícios provocados pela ingestão de tais alimentos, o Ministério da Agricultura tem recomendado sua consumação de maneira inescrupulosa. Fica clara, dessa forma, a displicência do Estado quanto às consequências de um regime alimentar tóxico, que propicia o aparecimento de doenças crônicas, sobrecarrega o sistema público de saúde, e põe em risco o bem-estar populacional.

Outrossim, é pertinente ressaltar a falta de prudência do cidadão quanto ao consumo de víveres industrializados. Nessa perspectiva, consoante à Fundação Oswaldo Cruz, em 2018, ainda que estudos científicos associem os ultraprocessados a doenças como câncer, diabetes e hipertensão, sua utilização têm aumentado nos últimos anos. À sombra disso, tal conjuntura de falta de lucidez analítica é análoga à menoridade intelectual, delineada pelo filósofo iluminista Immanuel Kant, o qual afirma que o indivíduo alcança sua “maioridade” quando deixa de agir de maneira alienada e passa a proceder consoante ao exercício da razão. Logo, o brasileiro só alcançará a postura de maioridade crítica quanto à necessidade de uma dieta mais natural quando perceber que tal escolha é crucial para uma vida mais saudável e duradoura.

Verifica-se, portanto, a necessidade de combater tal problemática. Para isso, é essencial que o Poder Executivo não só mude sua postura quanto ao consumo dos ultraprocessados, como também estimule o pensamento crítico populacional; por meio de comerciais televisivos e de palestras escolares, com o objetivo de elucidar as consequências de uma dieta rica em tal tipo de alimento, bem como encorajar a ingestão de comida natural. Dessa maneira, não só o governo passará a adotar uma postura de responsabilidade com a sociedade brasileira, mas também esta encontrará o encorajamento substancial para alcançar o entendimento necessário a uma prática alimentar mais proveitosa.