O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 15/12/2020

No romance literário “Hora da Estrela”, da escritora Clarice Lispector, a personagem principal Macabéa era muito magra e pálida, pois não se alimentava direito.Uma vez que, vivia basicamente de cachorro-quente com Coca-Cola, que comia na hora do almoço, em pé, no escritório em que trabalhava. A obra, apesar de ser ficcional, apresenta uma verossimilhança com a realidade, visto que a má alimentação está bastante presente na sociedade brasileira. Desse modo, são muitos desafios alimentares na atual comunidade Tupiniquim, entre eles, o estilo de vida contemporânea e a dificuldade do acesso a aquisição de alimentos saudáveis para o consumo.

Em primeira análise é importante ressaltar que o hábito de vida pós-moderno é um dos grandes contribuintes para o consumo de alimentos não saudáveis, tendo em vista que, até metade do século XX, as mulheres tinham como tarefa única o cuidado do lar e, consequentemente, a responsabilidade para com alimentação domiciliar.No entanto, com seu ingresso no mercado de trabalho, o tempo para preparar a refeição, ficou escasso, impulsionando a indústria, na procura de inovações tecnológicas para simplificar o trabalho doméstico. Todavia, ao buscar pela funcionalidade, algumas comidas contribuem para o surgimento de diversas doenças, como é o caso da obesidade, que cresceu 60% em dez anos no país, consoante aos dados coletados pelo Ministério da Saúde.

Em segunda análise, é pertinente afirmar que durante a Revolução Verde, com as iniciativas tecnológicas para as práticas agrícolas, ocorreu um aumento significativo na produção de alimentos no mundo.Contudo, essa transformação não garantiu, mormente, a alimentação de qualidade entre os brasileiros, uma vez que favorece para a dificuldade do acesso à comidas saudáveis.Posto que, os alimentos ultraprocessados possuem um custo menor que os orgânicos, corroborando o artigo recém-publicado na revista Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases, na qual afirma que o preço dos produtos industrializados é inversamente associado às prevalências de excesso de peso e obesidade.

Portanto, cabe ao Ministério da educação promover, nas escolas, desde as séries iniciais, a educação alimentar não só por uma matéria obrigatória, mas também, por intermédio de projetos pedagógicos como palestras ministradas por especialistas no assunto,feiras culturais com a participação de toda a comunidade com a finalidade de ampliar o conhecimento e melhor combater os problemas decorrentes da ingestão de alimentos pouco saudáveis.Ademais, o Ministério da Agricultura aliado às secretarias de segurança alimentar devem promover a ampliação do incentivo, por meio de insumos e empréstimos bancários com juros reduzidos, aos agricultores que atuam no cultivo orgânico e familiar com o intuito de melhorar a oferta de comidas de qualidade para o povo brasileiro.