O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 10/01/2021
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - garante e realiza o bem-estar verde-amarelo teoricamente. Entretanto, no que se diz respeito ao acesso à alimentação - direito assegurado por esse estatuto nacional -, vê-se que os alimentos ultraprocessados geram a dificultação do alcance prático das medidas constitucionais, a começar pelo impedimento àquele privilégio prometido legislativamente. Dessa forma, esse quadro anômalo é fruto das questões referentes à nutrição dos industrializados e à mudança de mentalidade alimentar. Portanto, esses problemas, que se tornaram fenômenos sociais, precisam de um olhar crítico, para que se solucionem.
Em primeiro plano, é preciso analisar as consequências do consumo de comidas que passaram por procedimentos fabris. Nesse sentido, o filme animado “Wall-E” é passado em um cenário pós-apocalíptico, no qual o planeta Terra, tomado pelo lixo e pelo aquecimento global, tornou-se inabitável. Com isso, os remanescentes da raça humana, que são todos obesos - por se alimentarem de produtos industrializados e processados -, vivem em uma nave espacial. Dessarte, a perpetuação desse estado é vista na realidade tupiniquim hodierna, ao passo que o alto consumo de insumos ultraprocessados - calóricos e desreguladores hormonais - são promovedores de doenças físicas, o que impacta na qualidade alimentar do brasileiro, que é um direito constitucional. Logo, a reversão do entrave é mister.
Outrossim, torna-se indispensável a observação da realização de publicidades e de propagandas voltadas ao incentivo de absorção dos insumos industrializados. Deste modo, é necessária a intensificação de políticas públicas voltadas à alimentação adequada do cidadão verde-amarelo. Sendo assim, de acordo com a Universidade de São Paulo (USP), novos produtos alimentícios, por meio de centros publicitários e de “merchandising”, têm influenciado os brasileiros, de forma a mudar os costumes e os padrões nutricionais desses. Por conseguinte, a dieta da população brasileira fica à mercê da cultura vigente da indústria alimentícia, o que faz, contraditoriamente, alimentos com nutrientes balanceados entrarem em decadência, imbróglio que exibe o descaso estatal.
Face ao exposto, a resolução das problemáticas supracitadas é imprescindível. Diante disso, o Ministério da Saúde - órgão primordial para a harmonia físico-social - deve intensificar a divulgação efetiva do Guia Alimentar para a População Brasileira bem como implementar programas de educação alimentar nas escolas, por intermédio da participação de nutricionistas e de nutrólogos. Por esse caminho, esses profissionais serão encarregados de mostrar a importância de uma balança nutricional favorável, o que, por fim, levará ao controle saudável do padrão alimentar brasileiro, com a diminuição do consumo de ultraprocessados. Assim, o acesso constitucional à alimentação será atingido.