O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 13/01/2021
O sociólogo Durkheim postulou o termo “anomia social” para se referir ao estado de caos na sociedade, o qual se aplica ao consumo exacerbado de alimentos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea são entraves que dificultam a concretização dos impactos ocasionados pela má alimentação, fruto da praticidade alimentar e baixo custo de produtos ultraprocessados. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária, é necessário analisar, seriamente, os subterfúgios, a fim de solucionar essa mazela social.
Precipuamente, é fulcral pontuar que em razão da praticidade alimentar dos produtos industrializados, o consumo de alimento de baixo valor nutricional e altamente calórico tem se elevado, não conseguindo medir as consequências de tal postura negligente para à saúde, uma vez que, um dos objetivos do ultraprocessamento é o aumento da validade dos alimentos, cuja prática altera desfavoravelmente a composição nutricional dos alimentos, corroborando à obesidade, aumento da pressão arterial e problemas cardíacos. Diante do exposto, conforme dito por Lair Ribeiro, médico e nutrólogo, “aquele que não tem tempo para cuidar da saúde, terá que arrumar tempo para cuidar da doença”, o qual fundamenta a escolha de uma alimentação saudável em meio a tanto desequilíbrio nutricional.
Faz-se mister, ainda, salientar que, em decorrência da vulnerabilidade e da persistência do consumo desenfreado de produtos nutricionalmente desbalanceados, o baixo custo aliado a divulgação do mesmo é um impulsionador do problema, visto como estratégia de empresas alimentícias. Prova disso é o documentário “Muito Além do Peso”, o qual enfatiza as indústrias de alimentos e bebidas industrializadas, que abusam de propagandas a fim de vender produtos altamente calóricos, fruto disso é o aumento da obesidade no Brasil.
Logo, mediante os impactos negativos ocasionados por alimentos ultraprocessados, é preciso modificar a realidade. Urge ao Ministério da Saúde contribuir ao desenvolvimento de estratégias para o direito à alimentação adequada, por meio do aumento de impostos sobre alimentos não saudáveis e diminuir os preços sobre os alimentos “in natura”, para que tal aumento seja convertido no fortalecimento das ações de educação em nutrição e promova o consumo de alimentos sem que tenham sofrido qualquer alteração. Assim, seria o caminho para solucionar a “anomia social” postulada por Durkheim.