O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 29/01/2021

Alimentos ultraprocessados são aqueles que receberam aditivos em sua composição na intenção de garantir a durabilidade dos mesmos, de tal forma que seja possível a sua produção em massa. Com isso, seguindo a lógica mercadológica, há maior disponibilidade desses produtos, o que reduz o seu preço, fazendo com que as opções de comida saudável sejam as mais dispendiosas. Nesse cenário, a intenção de vender alimentos em larga escala resultou em hábitos nocivos nos brasileiros, uma vez que essa é uma população que gasta parte significativa de suas rendas com a alimentação.

Em primeiro plano, é necessário entender como se dá a diferença de preços entre alimentos processados e orgânicos. Essa situação é decorrente da lei da oferta e da procura de Adam Smith, que rege a economia, pontuando que quanto mais disponível um produto estiver no mercado, menor é o seu valor para o consumidor, e vice e versa.  Assim, a produção em larga escala da indústria alimentícia para o consumo em massa fez com que os alimentos processados estivessem mais disponíveis para a compra, e por isso, são mais baratos em comparação à comida natural. Dessa forma, a acessibilidade ao bolso se torna um fator atrativo, em detrimento dos efeitos nocivos à saúde presentes nesse tipo de alimentação.

Em segundo plano, é preciso analisar como esse quadro de diferença no valor dos tipos alimentícios afetam as finanças dos brasileiros, impactando na escolha dos hábitos. Como apontam as pesquisas, a compra de produtos alimentares básicos, tais como carne, frutas e legumes, arroz, ovos, pães e leite, ocupam 31,5% do salário mínimo brasileiro. Em contrapartida, em países como o Reino Unido e a Austrália, essa taxa está por volta dos 7%. Isso aponta o grave peso que a alimentação possui para as economias individuais no Brasil, fazendo com que essa seja uma área em que, possivelmente, as pessoas optam por restringir seus gastos. Isto é, há uma escolha problemática pela comida ultraprocessada - mais barata - a favor da manutenção das reservas monetárias pessoais, por mais que isso signifique comer o que não é considerado saudável.

Diante do que foi exposto, vê-se a necessidade de garantir a acessibilidade financeira da alimentação saudável no Brasil. Por isso, o poder legislativo deveria propor e autorizar uma lei que encareça os ultraprocessados e barateie os orgânicos, de tal forma a escolha por hábitos alimentares positivos seja mais atrativa e não esteja atrelada à possibilidade de afetar as finanças pessoais. Por meio de subsídios aos pequenos produtores, o processo de tornaria mais barato, e consequentemente reduziria o valor final. Ao mesmo tempo, o aumento de impostos à industria alimentícia, bem como a adição dos mesmos ao valor de compra dos processados, aumentaria seu preço.