O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 17/02/2021
Com o Êxodo Rural na Era Vargas, devido à industrialização na região Sudeste, milhares de indivíduos foram para os grandes centros em busca de trabalho. Com isso, eles ficaram mais distantes das fontes de alimentos naturais e devido ao ritmo de serviço das metrópoles os ultraprocessados se tornaram a opção mais rápida e barata de se alimentar. No entanto, o consumo exagerado deles tem consequências, como é possível observar pelo aumento da obesidade e da hipertensão que afetam, principalmente, as populações mais carentes.
Primeiramente, é preciso observar que o incentivo ao consumo de comida processada, que é feito pelas propagandas, é uma das causas da má alimentação. Isso ocorre, pois ao associas o consumo desses alimentos à felicidade os cidadãos, buscam, por meio da ingestão dos mesmos, alcançar a plenitude e esse processo pode ser considerado Nutricídio, que é o incentivo ao consumo de alimentos danosos à saúde. Como consequência, a obesidade tornou-se uma epidemia que afeta, principalmente, a população mais carente, segundo a Organização Mundial da Saúde, tornando-a mais propensa a doenças crônicas como diabetes e hipertensão.
Ademais, é preciso ressaltar que o alto custo e e a baixa oferta de alimentos saudáveis, como legumes, é um fator que impede a população mais vulnerável de alimentar-se melhor. Como exemplo dos prejuízos gerados por isso, a população negra brasileira é a que mais sofre de problemas hipertensão e diabetes, provenientes da má alimentação, como evidencia o Ministério da Saúde. Devido a isso, tem-se que a população mais carente é a mais afetada com a elitização dos alimentos saudáveis, o que torna esse um problema que impede o usufruo do direito constitucional de acesso à alimentação de qualidade e a meios de promoção da saúde.
Fica claro, portanto, que a falta de acesso aos alimentos nutritivos é um problema de saúde pública. Por isso, é necessário que o Ministério da Saúde, aliado ao Ministério da Agricultura, ofereça incentivos fiscais aos produtores que abastecem os produtores de hortifruti, para que, assim, eles possam produzir mais alimentos. Isso, com o objetivo de tornar o custo desses produtos mais baratos e assim possibilitar que as populações menos favorecidas possam ter condições de compra-los, diminuindo o consumo de ultraprocessados. Além disso, as escolas podem instruir os alunos sobre a importância do consumo de alimentos saudáveis, por meio de aulas com profissionais da saúde, para que os jovens possam levar esse conhecimento para casa e incentivar os responsáveis a comprarem alimentos menos danosos a saúde. Desse modo, será possível democratizar o acesso aos alimentos saudáveis e impedir que mais cidadãos adoeçam devido à má alimentação.