O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 12/02/2021

Com o êxodo rural na Era Vargas, devido a industrialização da região sudeste, milhares de indivíduos foram para os grandes centros em busca de trabalho. Com isso, eles ficaram mais distantes das fontes de alimentos naturais e devido ao ritmo de serviço nas metrópoles os ultraprocessados se tornaram a opção mais rápida e barata de se alimentar. No entanto, o consumo exagerado deles tem consequências, como é possível ver no aumento da obesidade e da hipertensão, que afetam principalmente as populações mais carentes.

Primeiramente, é preciso observar que o incentivo ao consumo de comida processada que é feito pelas propagandas é uma das causas da má alimentação. Isso ocorre, pois ao associar o consumo desses alimentos à felicidade os cidadãos buscam, por meio da ingestão dos mesmos, alcançar a plenitude e esse processo pode ser considerado Nutricídio, que é o incentivo ao consumo de alimentos danosos à saúde. Como consequência, tem-se que hoje, a obesidade tornou-se uma epidemia e afeta principalmente a população mais carente, segundo a Organização Mundial da Saúde, tornando ela mais propensa a doenças crônicas como diabetes e hipertensão.

Ademais, é preciso ressaltar que o alto custo e a baixa oferta de alimentos saudáveis, como legumes, é um fator que impede a população mais vulnerável de alimentar-se melhor. Como exemplo dos prejuízos gerados por isso, temos que hoje a população negra brasileira, a que mais sofre com problemas de hipertensão e diabetes, devido a má alimentação, como evidencia o Ministério da Saúde. Devido a isso, tem-se que a população mais carente é a mais afetada pela elitização dos alimentos saudáveis, o que torna esse um problema que impede o usufruo do direito constitucional de acesso à alimentação de qualidade e a meios de promoção da saúde.

Fica claro, portanto, que a falta de acesso à alimentos nutritivos é um problema de saúde pública. Por isso é necessário que o Ministério da Saúde, aliado ao Ministério da Agricultura, ofereça incentivos fiscais aos produtores que abastecem o setor de hortifruti, para que, assim, eles possam produzir mais alimentos. Isso, com o objetivo de tornar o custo desses produtos mais baratos e assim possibilitar que as populações menos favorescidas possam ter condições de compra-los, diminuindo o consumo de ultraprocessados. Além disso, as escolas podem instruir os alunos sobre a importância do consumo de alimentos saudáveis, por meio de aulas com profissionais da saúde, para que os jovens possam levar esse conhecimento para casa e incentivar seus responsáveis a comprar menos alimentos danosos a saúde. Desse moso, será possível democratizar o acesso aos alimentos saúdaveis e impedir que mais cidadãos adoeçam devido a má alimentação.