O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 21/03/2021
Até meados da Modernidade, as técnicas de conservação de alimentos eram muito arcaicas. Por isso, normalmente se usavam o sal e condimentos naturais para evitar a putrefação ou para camuflar o gosto ruim dos alimentos estragados. Com a Revolução Tecnológica e o aprimoramento da ciência, descobriu-se no uso de conservantes artificais e adição de outros elementos, uma nova forma de manter o alimento bom para o consumo por mais tempo. Porém, o uso de ultraprocessados influenciou profundamente o padrão alimentício brasileiro, pois acentua a perda da identidade cultural alimentar, influenciada principalmente pela mídia.
Primeiramente, é importante analisar como o uso de ailmentos processados impacta na perda de uma cultura alimentar típica de uma região. Nesse sentido, a globalização de serviços também interferiu nos comportamentos alimentares, como é o caso da influência de marcas como Coca-Cola ou McDonalds, por exemplo. Tais empresas, conhecidas mundialmente, oferecem alimentos ricos em sódio e outros conservantes artificais e são muito presentes na alimentação brasileira. Dessa forma, muitas pessoas, especialmente os mais jovens, preferem esse tipo de alimento a outros mais naturais, como o típico arroz e feijão, base alimentar brasileira.
Além disso, a má influência da mídia é crucial na manutenção do uso de ultraprocessados na alimentação brasileira e de seus consequentes problemas. Nesse viés, é notório como a televisão e redes sociais estão empenhados em fazer publicidade de marcas alimentícias que não têm compromisso com a saúde pública, mas que movimentam um robusto mercado financeiro. Para o sociólogo Pierre Bordieu, a mídia ao invés de promover debates informativos, contribui para a consolidação do problema. Infelizmente, enquanto prevalecer o interesse econômico, as questões sociais serão de certa forma silenciadas.
Portanto, para que os efeitos relacionados aos alimentos ultraprocessados sejam diminuídos, é urgente a tomada de iniciativas. Para isso é necessário que o Ministério da Agricultura crie um projeto de incentivo à agricultura orgânica e minimamente processada, no sentido de diminuir os impactos sociais e dar subsídios aos produtores. Além do mais, deve fazer publicidade na televisão e outras mídias, no intuito de mostrar a importância de consumir esse tipo de alimento e dos perigos dos ultraprocessados na saúde, por meio de explicação de profissionais da área. Assim, a população terá acesso à informação de maneira mais fácil, tendo a oportunidade de reeducar seus hábitos aliementares.