O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 23/05/2021

Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entrave, como o impacto dos ultraprocessados ​​no padrão alimentar brasileiro, se faz presente no corpo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar como o excesso de produtos artificiais e como os alimentos geneticamente modificados podem impactar na saúde das pessoas.

Observa-se, em primeira instância, que o aumento de consumo de produtos artificiais pode ser um problema para uma sociedade brasileira. Sob essa ótica, tal entrave se diverge de utopia do Brasil narrada por Barreto, na medida em que 18,4% da população consome alimentos ultraprocessados, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ademais, no período de pandemia que o mundo enfrenta, o consumo de ultraprocessados ​​aumentou, tanto pela conveniência, quanto pela comodidade dos alimentos, tendo em vista o aumento nos valores dos produtos considerados mais saudáveis.

Outrossim, vale ressaltar que houve um crescimento na demanda de alimentos. Nesse contexto, ganha voz a percepção do sociólogo Émile Durkheim, ao afirmar, na obra “Estudo do método sociológico”, que os instrumentos sociais obrigam os obrigam a se adaptarem às regras da sociedade. Esse pensamento, em sua essência, revela a má distribuição alimentar, forçando o uso de ingredientes industriais para aumentar o ciclo de produção e atender as necessidades do país e, consequentemente, aumento do uso de alimentos considerados não saudáveis.

Portanto, tendo em vista os fatos supracitados, é notória a necessidade de que o governo, por meio de projetos governamentais, direcione verba para o Ministério da Saúde, para que sejam promovidas aulas de educação alimentar e também sejam inseridos projetos de exercícios físicos para todos , para que dessa forma, a qualidade da saúde das pessoas melhore. Também se mostra necessário que o Ministério da Saúde intervém na escala larga de produção de alimentos ultraprocessados ​​e faça uma maior propaganda, por meio de veículos digitais, como a mídia, sobre os impactos que esses produtos podem causar a saúde ao serem consumidos em longo prazo , para que todos se conscientizem da necessidade de sua produção, mas também saibam o seu perigo.