O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 18/05/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê a alimentação adequada como direito de todos e dever do Estado. No entanto, observa-se exatamente o contrário quanto à questão do impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da atuação da mídia e do descaso governamental.

Primeiramente, cabe abordar o papel negativo da mídia no que diz respeito à transmissão de informação sobre alimentos ultraprocessados. Conforme o pensamento de Pierre Bourdieu, sociólogo francês, os mecanismos democráticos não devem ser convertidos em ferramentas opressoras. Nesse sentido, rompe-se com tal lógica ao verificar que, atualmente, as grandes emissoras brasileiras omitem informações importantes sobre o consumo de alimentos ultraprocessados. Isso ocorre porque os comerciais de televisão, caracterizados pelo desejo de vender determinado produto, romantizam comidas ultraprocessadas e escondem seus perigos, sobretudo para os indivíduos mais pobres, que são os principais consumidores dos alimentos ultraprocessados em função do seu valor acessível. Por conseguinte, as pessoas continuarão comprando os alimentos ultraprocessados e, ainda, estarão mais suscetíveis a desenvolver doenças, como câncer e obesidade.

Ademais, outro fator fator a salientar é o desinteresse do Governo no que tange ao impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar do povo brasileiro. De acordo com Aristóteles, filósofo grego, a política tem como função preservar a amizade de indivíduos de uma sociedade. Contudo, nota-se, em grande parte dos estudos sobre a alimentação e a fome no território brasileiro, que o Estado contribui para o impacto negativo no padrão alimentar, visto que, apesar da alimentação de qualidade ser garantida em Constituição, as principais comidas nutritivas são inacessíveis para todos os cidadãos em virtude dos valores excessivos. Sendo assim, o Estado, que deveria assegurar o bem-estar social, ignora ações que poderiam, potencialmente, alimentar o povo brasileiro e, consequentemente, elevar o padrão alimentar brasileiro.

É indispensável, portanto, intervenções suficientemente efetivas para combater os impactos negativos dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro. Para isso, o Governo, com o apoio das Organizações Não-Governamentais, deve fiscalizar as propagandas dos alimentos ultraprocessados e criar auxílios financeiros, por meio de comprovações de renda, a fim de alimentar a população de maneira adequada. Nessa ação, seria pertinente investir em campanhas que revelem os riscos dos ultraprocessados. Assim, possivelmente, o padrão alimentar brasileiro seria elevado.