O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 24/05/2021
A “Modernidade Líquida”, termo cunhado por Zygman Bauman, foi tecido para definir a sociedade hodierna: facilmente moldável e incapaz de manter a mesma identidade por muito tempo. Tal aspecto é incontrovertível no que tange ao comportamento frenético da sociedade brasileira que resulta, infelizmente, na negligenciação alimentícia, sobretudo, no que concerne aos impactos dos ultraprocessados no padrão alimentar. Sob esse ângulo social, a ilusória ideia midiática de alimentos extremamente saudáveis, somada com o sistema de ensino “arcaico”, fomentam um cenário nefasto.
Antes de tudo, é imperioso ressaltar a mídia como influente na perpetuação desse revés. De acordo com Adorno e Hockheimer, filósofos da escola de Frankfurt, os bens de cultura padronizam a forma de pensar, agir e compreender a realidade, no qual a indústria fabrica valores, desejos e necessidades nos indivíduos. Dessa forma, tal aspecto pode ser claramente exemplificado quando a indústria alimentícia utiliza os meios comunicacionais, como a televisão e as mídias digitais, para dissipar a ideia de alimentos, que, em teoria são extremamente saudáveis e possuem baixo custo, mesmo que na prática possam ser prejudiciais à saúde. Em virtude disso, há, como consequência a alienação social, uma vez que o homem perde sua capacidade crítica e, por conseguinte, acredita que tais alimentos possam ser benefícios a saúde.
Ressalta-se, ademais, o sistema de ensino “arcaico” como um agravante ao imbróglio. Segundo Rubem Alves, educador brasileiro, “há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”. Nesse aspecto, o sistema de ensino que limita o conhecimento nutricional, pode limitar o próprio senso crítico dos cidadão. Por outro lado, a partir de uma educação de qualidade, que possibilite o desenvolvimento dos alunos, é possível minimizar os efeitos dos alimentos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro, a fim de desenvolver os indivíduos e torna-los adultos críticos. Dessa forma, percebe-se uma das causas do problemas, que de ser intermediada à luz do Ordenamento Jurídico Brasileiro.
Dessarte, é evidente que tais entraves precisam ser solucionados. Portanto, é mister que o Ministerio da Saúde, instância máxima da saúde brasileira, por meio do Ministerio da Ciência e da Tecnologia, crie um aplicativo para celulares denominado “Minha Saúde”, no qual de forma simples e objetiva explicará a população como se alimentar corretamente e evitar os alimentos ultraprocessados no cotidiano. Nessa ação, é indispensável um site que irá contar com listas de alimentos essencialmente composto de açucares e gorduras que são encontrados no supermercado e quais são as consequências diretas à saúde. Nesse sentido, o fito dessas ações é mitigar o impactos dos ultraprocessados na alimentação brasileira. Quiçá, assim, o Brasil consiga construir uma sociedade mais saudável.