O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 19/05/2021

No documentário “A nova ciência dos alimentos”, lançado em 2018, é retratado uma pesquisa sobre os alimentos e revela que a compreensão de uma dieta saudável é baseada em uma ciência desatualizada e em conselhos questionáveis. Ao longo da trama, a narrativa revela como os alimentos ultraprocessados colaboram para as taxas crescentes de obesidade no Brasil, bem como a complexidade alimentar. Dessa forma, fica claro que a atração por alimentos processados, com alto teor de gorduras e conservantes, é resultado da falta de tempo dos trabalhadores para se alimentarem melhor e o poder que a publicidade tem sobre a população.

Em primeiro lugar, é importante destacar que esse é um problema com grande relevância atualmente. Após a Segunda Guerra Mundial, o capitalismo ganhou ascensão e é evidente até os dias atuais. Dessa maneira, houve o aumento significante na produção de alimentos mais industrializados. Segundo o estudo do Datafolha, encomendado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o consumo desses alimentos aumentou 16% em 2020. Em consequência disso, os indivíduos passaram a ter mais horas de trabalho e menos tempo para cuidar da saúde. Assim, é fato que esses fatores colaboram para o aumento de pessoas com problemas associados à má alimentação, como, diabetes e doenças cardiovasculares.

Além disso, é necessário evidenciar a função da publicidade nessa realidade. Sabendo que a sociedade de consumo é instigada pelas propagandas, as fábricas alimentícias têm aumentado ainda mais os seus investimentos nesse ramo. A observação de uma comida mais saborosa e “bonita”, já que as embalagens são bastante atrativas e contém frases reforçando o sabor ou a adição de vitaminas e minerais (que não são bem absorvidas pelo organismo e artificiais), confirma a ideia do sociólogo Zygmunt Bauman que diz sobre os tempos líquidos, em que o hedonismo e o imediatismo estão a cima da preocupação com o futuro. Logo, esse pensamento se relaciona com o prazer repentino.

Portanto, é preciso que o Governo tome providências para solucionar o quadro atual. Para tornar os alimentos saudáveis mais acessíveis, urge que o Governo juntamente com o Ministério da Saúde crie, por meio de financiamentos para pequenos agricultores, programas com o intuito de facilitar a compra de alimentos naturais e, consequentemente, abaixe os preços desses produtos. Além disso, é necessário que as mídias digitais, como, Facebook, Instagram e Twiter, propague os males causados pelos ultraprocessados e incentive a sociedade a ter modelos de vida mais agradáveis. Somente assim, a realidade relatada no documentário será apenas uma ficção.