O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 24/05/2021
O filme “O Fundador” narra o surgimento da maior rede de fast-food do mundo. Na obra, os personagens têm suas vidas modificadas pela possibilidade pela modernidade que, naquele contexto, se traduzia pela praticidade na produção e consumo de alimentos processados. De maneira análoga à história fictícia, a questão do impacto do consumo de alimento ultraprocessado, no Brasil, ainda enfrenta problemas no que diz respeito à sua fiscalização por parte importante da sociedade. Assim, é lícito afirmar que a postura do Estado em relação à saúde alimentar e a negligência de parte das empresas contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.
Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para implementar um processo que leve ao cerne da questão. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Ministério da Saúde exerce na administração do país. Instituído para ser um órgão que promova a aplicação de políticas que visam a manutenção da saúde pública, tal ministério ignora ações que poderiam, potencialmente, fomentar a qualidade alimentar, como a criação de diretrizes alimentares para auxiliar na merenda escolar e a aplicação do Guia Alimentar para a População Brasileira. Desse modo, o Governo atua como agente perpetuador do processo de deterioração da saúde pública. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Outrossim, é imperativo pontuar que a negligência de empresas do setor — como indústria alimentícia e supermercado — também colabora para a dificuldade em implementar um modelo ideal de nutrição. Isso decorre, principalmente, da postura capitalista da maior parte do empresariado desse segmento, que prioriza os ganhos financeiros em detrimento do impacto social e econômico que poderia surgir. Nesse sentido, há, de fato, uma visão elitista advinda dos donos dos meios de produção. Consequentemente, a sociedade sofre com as consequências destes processos. É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para facilitar a aplicação de medidas que tencionam o controle do consumo de ultraprocessados.
Portanto, o Ministério da Saúde deve, por meio de um amplo debate entre Estado, sociedade civil e profissionais da área, lançar um Plano Nacional de Segurança Alimentar. Tal plano deverá focar, principalmente, em destinar formação nutricional para sociedade civil, e por conseguinte a implementação de um cardápio com alto valor nutricional nas escolas públicas. Como também a substituição gradativa de produtos processados da prateleira dos supermercados, por alimentos de origem orgânica. Ademais, o Governo Federal deve também, mediante oferecimento de incentivos fiscais, incitar o empresariado que utilizar menos conservante químico em seus produtos.