O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 24/05/2021

Após a primeira Revolução Indústrial, o mundo passou por vários processos de modificação nos hábitos de consumo, tanto materiais como alimentares. O crescimento da indústria de alimentos ultraprocessados proporcionou que os brasileiros pasassem a se alimentar de maneira mais rápida, fácil e, muitas das vezes, mais saborosa do que os antigos padrões, ao mesmo tempo que fez com que a população desenvolvesse inúmeros problemas de saúde, reduzindo tempo e qualidade de vida. Esses impactos são decorrentes da desinformação sobre o consumo excessivo de ultraprocessados e a facilidade financeira de acesso à esses produtos.

O consenso de que produtos ultraprocessados causam diversos impactos danosos à saúde existe, mas quando não existem estimulos suficientes que mostrem, reforcem esse fato e, sobretudo, incentive a população a aderirem diferentes hábitos, os valores passam a exaltar padrões nocivos e que colococam a si próprio em risco, ou seja, o problema passa a ser banalizado e pouco se fala sobre. Um exemplo de comoo as políticas de prevenção conseguem driblar padrões enraizados da sociedade é o o consumo de cigarro, que segundo o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), teve queda de cerca de 40% desde o aumento dos esforços do Ministério da Saúde para o fim do hábito de fumar no Brasil, nos anos 1990.

O fácil acesso a esse tipo de alimento também faz com que seja pertinente o seu consumo. De acordo com o indicador de bem-estar financeiro, mais de 60% da população vive no limite do orçamento. Sendo assim, fica clara a preferência do brasileiro na hora de comprar salgadinhos, sorvetes, bolachas, entre outros produtos ultraprocessados, visto que esses são relativamente mais baratos do que aqueles “In natura”.

O problema, é que a ingestão a longo prazo desses alimentos é a causa de diversas doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Visto isso, faz-se necessário que o Estado, junto com o Ministério da Saúde e das mídias sociais, faça uma maior divulgação das diretrizes do Guia Alimentar Nacional, que prevê as indicações recomendadas para a alimentação saudável do brasileiro. Também cabe ao Ministério da Educação aderir campanhas e programas nas escolas, desde a educação infantil ao Ensino Médio, para que, cedo ou tarde, o Brasil seja um país mais consciente de seus próprios hábitos alimentares e alcance melhores índices de padrão de vida mais saúdavel.