O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 23/05/2021
Concomitante aos avanços decorrentes das revoluções industriais, notabilizou-se a necessidade de modernização das técnicas agrícolas, de modo a aumentar a produtividade dos campos, tornando deste modo possível a tentativa de erradicar a fome do mundo. Tal processo, denominado Revolução Verde, preanunciou as contínuas transformações na indústria alimentícia brasileira, dado que atualmente há uma elevada presença de alimentos ultra processados no comércio. Deste modo, as notáveis mudanças implicaram impactos no padrão alimentar brasileiro, o que acarretou impasses no pleno progresso da agricultura familiar e de pequenos produtores. Ademais, o elevado consumo de alimentos processados tem gerado sérios impactos no sistema de saúde brasileiro.
É primordial ressaltar que a exacerbada valorização econômica da produção de alimentos ultra processados fomentou o crescimento do consumo de tais produtos. Porquanto, a baixa procura por alimentos “in natura” ocasionou a desvalorização da produção de pequenos e médios produtores agrícolas. Dessa maneira, torna-se evidente que a transformação no padrão alimentar brasileiro tem gerado prejuízos, como o encarecimento de produtos naturais, tendo em vista sua baixa procura. Além disso, a baixa preferência por tais soma-se aos baixos incentivos fiscais para as pequenas produções.
Outrossim, é de suma importância enfatizar que a modificação nos modelos alimentícios tem implicado sérios entraves no sistema de saúde brasileiro, visto que o favoritismo da população por alimentos ultra processados é a causa do crescimento de inúmeras doenças, visto que alimentos industrializados têm como essencial conservante o sódio, principal íon causador do aumento da pressão arterial, o que o caracteriza como substancial gerador de doenças cardiovasculares. Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), coexistem, com o sódio, elevadas taxas de gorduras trans e açúcares nos alimentos ultra processados, o que acarreta deste modo aumento de casos de inúmeras doenças, como diabetes e obesidade.
Diante dos fatos apresentados, deve-se haver ações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na aplicação de benefícios fiscais, com objetivo de tornar a produção de pequenos e médios agricultores mais lucrativa e acessível. Por conseguinte, investir em propagandas televisivas incentivadoras do consumo de alimentos naturais. Ademais, faz-se necessário que o Ministério da Saúde promova a elaboração de campanhas nas unidades de saúde que abordem a importância da consciência alimentar. Desse modo, será possível a maior conscientização da população acerca dos riscos gerados pela má alimentação, o que possibilitará gradualmente a padronização de modelos alimentares mais benéficos à saúde para a população brasileira.