O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 21/05/2021

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, o impacto dos alimentos ultraprocessados no padrão alimentar do país é uma problemática em pauta na atualidade. Sendo assim, seja pela rotina acelerada das pessoas, ou então, pelo aumento do consumismo, o problema vem silenciosamente se agravando e necessita de reflexão urgente.

Primeiramente, cabe ressaltar que os hábitos e costumes das gerações atuais foram se modificando e ficando cada vez mais céleres. Dessa forma, a alimentação teve que acompanhar essas mudanças, pois como o tempo que se passa em casa diminuiu é necessário que as refeições se tornem mais práticas e ágeis. A exemplo disso há a difusão das franquias de “fast foods”, que são lojas e lanchonetes com produtos de rápida preparação, alta praticidade e baixo custo. Logo, entende-se que a rotina das pessoas influencia diretamente na sua alimentação.

Em segundo lugar, o consumismo se configura como um fator que colabora com a problemática. Dessa maneira, o consumo não consciente faz com que muitos produtos de diversas origens sejam comprados e, assim, aqueles cuja procedência advém de muitos processos industriais são introduzidos na alimentação da população, e esses alimentos muitas vezes não possuem uma tabela nutricional balanceada, a longo prazo comprometendo a saúde do indivíduo. Isso pode ser comprovado com as recorrentes campanhas publicitárias que estão presentes na mídia, tanto televisiva quanto digital, para estimular os consumidores a comprar. Então, compreende-se que o consumismo influencia no aumento no uso de alimentos ultraprocessados.

Em suma, o problema ainda existe e necessita de reflexão urgente. Nesse âmbito, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Agricultura, auxiliar os produtores rurais (em especial os menores) por meio de subsídios com o objetivo de diminuir o preço de alimentos naturais - sobretudo os orgânicos -, ou então com uma menor industrialização para que sejam mais atraentes aos consumidores tanto quanto os com maior beneficiamento fabril. Portanto, poder-se-ia notar melhora na condição atual próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.