O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 24/05/2021

A obra cinematográfica “Food Inc”, indicada ao Oscar de melhor documentário, apresenta as consequências da má relação entre a indústria alimentícia e o consumo de alimentos ultraprocessados. Para além das telas de televisão, é possível identificar o impacto que comidas desenvolvidas com ingredientes industriais causa em indivíduos, além da maneira com a qual tais alimentos foram inseridos na rotina da população brasileira. Assim, é fato que tal realidade repercute na sociedade de forma incisiva  e, por isso, é válido debater a situação sob duas principais vertentes: a visão abusiva de lucro do capitalismo, bem como a ausência de políticas governamentais perante o tema.

A princípio, faz-se importante destacar o fato de que a implementação do sistema capitalista e seu olhar obstinado para a lucratividade corrobora para a perpetuação das consequências negativas das comidas ultraprocessadas. Por meio dessa ideia, é válido mencionar que, de acordo com Karl Max, sociólogo alemão do século XIX, a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas. Nessa perspectiva, é fato que a indústria alimentícia promove mercadorias altamente processadas na rotina da população, tendo a ciência de que terá consequências negativas na saúde dos indivíduos, com o objetivo único de maior manifestação de poder monetário. Então, é fato que a visão capitalista enraizada na sociedade faz parte dos impactos de alimentos ultraprocessados.

Ademais, torna-se válido identificar que políticas desprestigiadas por parte do Governo Federal em relação ao padrão alimentar dos brasileiros, assim como sua ligação direta  com alimentos alterados industrialmente faz com que o problema esteja cada vez mais consolidado no território nacional, dificultando sua resolução. À luz dessa compreensão, é pertinente referenciar a Constituição Federal, a qual afirma que é direito básico social o acesso à alimentação adequada, em sua Emenda Constitucional nº 64. Sendo assim, pode-se concluir que é dever do Governo promover tais políticas, porém, quando avaliada em metodologias práticas, essas administrações não são devidamente cumpridas. Tais fatos revelam a falha nas políticas públicas como um fator de perpetuação do dilema.

Portanto, diante dos fatos mencionados fato que tal problema afeta a vida da população brasileira e, por isso, é preciso que o Governo Federal, na representação específica do Ministério da Saúde, adote medidas com o intuito de minimizar os impactos negativos dos alimentos ultraprocessados no padrão alimentar do Brasil, por meio do cumprimento da legislação já desenvolvida e presente na Constituição. Logo, a partir de tais ações, espera-se promover uma suavização das consequências negativas de tal probelma.