O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 31/05/2021
O filósofo grego Hipócrates, dito por muitos o pai da medicina, defendia, dentre várias ideias, que uma alimentação saúdavel pode ser considerada até mesmo um medicamento, dizendo: “que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”. No entanto, observa-se atualmente o crescente consumo, de forma não moderada, de produtos ultraprocessados pela população brasileira. Esse cenário é de extremo risco, já que o consumo exagerado desses alimentos ocasiona em sérios problemas de saúde, e esse está cada vez mais inserido na cultura nacional contemporânea.
É necessário abordar, em primeiro plano, que os alimentos ultraprocessados estão cada vez mais presentes na mesa e cultura brasileira. De fato, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o consumo desse tipo de alimento dentre os cidadãos de 44 a 55 anos era de 1/6 em 2020, sendo que em 2019 essa quantia era inferior a 10%. Além disso, a modalidade fast-food — expressão inglesa que remete a alimentos preparados e servidos rapidamente, muitas vezes ultraprocessados— está cada vez mais presente no mercado brasileiro, tendo um crescimento de cerca de 1/3 nos anos de 2015 á 2019 (segundo dados divulgados pela EAE Business School). Desse modo, percebe-se que até mesmo uma modalidade alimentar relacionada aos alimentos ultraprocessados (o fast-food), está em crescimento no país, se tornando cada vez mais parte do cotidiano.
Deve-se ressaltar, ainda, que o consumo demasiado desse tipo de comida pode ocasionar em vários casos graves de sáude. De fato, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) com adultos de 38 anos (em média), o consumo de mais de quatro porções desse tipo de alimento aumenta a chance de morte em mais de 3/5, sendo que cada porção extra torna esse percentual cerca de 1/5 maior. Além disso, segundo uma pesquisa realizada pela USP junto da Idec, um aumento de 1/5 no preço por quilo desses alimentos resultaria numa redução superior a 10% nos casos brasileiros de obesidade. Percebe-se, então, a tamanha gravidade do consumo demasiado de alimentos ultraprocessados, que resulta em muitos casos na morte.
Diante do exposto, evidencia-se que, para resolver a questão do consumo exagerado dos alimentos ultraprocessados no Brasil, medidas devem ser tomadas imediatamente. Para tal, as Redes de Ensino públicas e privadas devem conscientizar seus alunos, por meio de palestras e debates, a respeito dos maléficios que o consumo exagerado de produtos ultraprocessados causam a saúde humana, a fim de estabelecer uma alimentação mais saúdavel a nova geração. Aliado a isso, o Ministério da Economia deve desincentivar a compra desses alimentos, por aumentar os impostos cobrados nos ultraprocessados, a fim de favorecer a compra de alimentos mais saudáveis por parte da população.