O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 31/05/2021
“Black Mirror” é uma série americana que retrata a influência da tecnologia no cotidiano de uma sociedade futura. Em um de seus episódios, é apresentado um dispositivo que atua como uma babá eletrônica mais desenvolvida, capaz de selecionar as imagens e sons que os indivíduos poderiam vivenciar. Ao fazer uma analogia da ficção para a contemporaneidade, percebe-se que a sociedade brasileira busca um melhor aproveitamento de seu tempo, por meio da tecnologia para desenvolver refeições prontas que acabam sendo muito processadas e ricas em conservantes. Nesse prisma destacam-se dois aspectos importantes: os problemas de saúde causados pelos alimentos ultraprocessados e a redução do consumo de produtos orgânicos.
Em primeiro plano, podemos destacar os problemas de saúde causados pelos alimentos ultraprocessados, que por serem ricos em conservantes e outras substâncias fazem mal quando consumidas com frequência. Desse modo, segundo o guia Alimentar para a População Brasileira é recomendado evitar que tais alimentos, por serem nutricionalmente desbalanceados, devem ser evitados.
Dessa forma, deve-se ao máximo optar por consumir produtos menos industrializados e processados possíveis, a fim de manter uma alimentação saudável e balanceada. Além disso, é evidente a diminuição no consumo de produtos orgânicos por grande parte da coletividade, por conta da praticidade. Consoante a isso, uma pesquisa realizada em 1998, por Susana Inez Bleil mostra que alimentos como o feijão, a farinha de mandioca, o arroz e a farinha de milho, os alimentos mais tradicionais na dieta do brasileiro, têm tido uma redução em seu consumo. Dando margem para novos produtos alimentares, criados pelas indústrias. Sendo assim, o brasileiro além de consumir menos produtos orgânicos, que auxiliam em uma alimentação balanceada, tem consumido cada vez mais produtos processados.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que venham a amenizar o impacto dos alimentos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro. Por conseguinte, cabe ao Estado estabelecer padrões mais rígidos quanto ao comércio de produtos ultraprocessados, por meio de acordos com a ANVISA alimentos, a fim de reduzir os males causados pelos consumos desses produtos. Somente assim será possivel desfrutar de um futuro mais saudável, em que tenhamos uma maior expectativa de vida para assim ter melhor proveito do tempo.