O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 26/05/2021

Nas últimas décadas, a alimentação da população brasileira mudou, caracterizando-se pela diminuição do consumo de alimentos in natura e minimamente processados, o que não favorece o aumento da ingestão de produtos processados ​​e ultraprocessados. Essa mudança repercute em uma dieta com maior densidade energética, ao mesmo tempo em que aumenta a ingestão de aditivos químicos, açúcar, sódio, gordura saturada e gordura trans, e diminui o consumo de fibras. Produtos Ultraprocessados ​​(UPP) referem-se a formulações industriais feitas a partir de substâncias extraídas de alimentos. Na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), aumentou o consumo de alimentos não saudáveis ​​(como frituras, salsichas, doces e refrigerantes). Esse aumento pode ser atribuído ao ambiente em que vivem os alunos, uma vez que a maioria das propagandas de alimentos na mídia se refere a produtos industrializados. Embora ainda existam poucos estudos avaliando o consumo pessoal de produtos UPP, é sabido que, com a prevalência do excesso de peso, a oferta de moradias tem aumentado6. Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009), 14% das crianças brasileiras de 5 a 9 anos são obesas, enquanto 33,5% apresentam sobrepeso7. Essa situação é preocupante, pois a idade adulta tende a reter o estado nutricional e os padrões alimentares da infância8. Fatores sociodemográficos, como renda e escolaridade dos pais, podem estar relacionados ao consumo de produtos ultraprocessados, mas há estudos conflitantes sobre essas associações. Alguns estudos descobriram que há uma associação entre maior consumo de UPP e dieta pobre, menor renda e educação pessoal, enquanto outros estudos mostraram que conforme a renda e o nível de educação aumentam, UPP aumenta o consumo. Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal, com amostra representativa de 378 crianças de 8 e 9 anos de escolas públicas e privadas da cidade de Viçosa-MG. Os  investigar a saúde cardiovascular da criança.