O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 31/05/2021

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “havia uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, os impactos dos ultraprocessados na alimentação dos cidadãos brasileiros configuram-se como um obstáculo na conquista do bem-comum, uma vez que esse descuido gera um agravamento de doenças variadas. A partir disso é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da população, bem como a omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.

É inevitável, em primeiro aspecto, observar a falta de conscientização por parte da população que insiste na alimentação precária de nutrientes. Questões desse tipo conduzem um maior agravamento nas estatísticas de obesidade no país, pois muitos ultraprocessados possuem alto teor de óleo, sódio ou açúcar. Muitas vezes, os pais introduzem esses industrializado nos filhos desde pequenos, impactando toda a sociedade, uma vez que a tendência é tal fato se repetir nas próximas gerações. Sob essa ótica cabe resgatar o “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável” do psquiatra Augusto Cury,  que diz que toda ação individual gera um impacto coletivo, ou seja, a irreesponsabilidade dos responsáveis pode impactar diretamente toda a sociedade. À luz dessa ideia, precisa-se mitigar essa mazela em função desse incômodo.

Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de propugnar um hábito de alimentação saudável para a população, juntamente com empresas que utilizam corantes e conservantes em larga escala em seus produtos. Nesse sentido, de acordo com Rousseau, filósofo renascentista, o Contrato Social estabelecido entre coletividade e instituições públicas exige uma participação de ambos na luta contra os ultraprocessados. Assim sendo, faz-se necessário a ação governamental nessa luta.

Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs relacionadas à alimentação e atividades físicas, por meio das redes sociais - detentoras de grande abrangência nacional - criarem ficções engajadas, as quais divulguem sempre a importância de uma alimentação nutritiva. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal - revigorem as leis que fiscalizem os ultraprocessados e suas composições, com o fito de não prejudicar a saúde dos consumidores. Somente assim conseguir-se-á retirar a “pedra do caminho” citada por Drummond.