O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 28/05/2021
Os alimentos ultraprocessados ganharam destaque depois do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmar que a classificação a partir do nível de processamento do alimento feita pelo Guia Alimentar para a População Brasileirade 2014 seria “confusa” e representaria um ataque à industrialização. A afirmação foi feita em ofício da pasta para o Ministério da Saúde, com a solicitação de que o documento fosse revisado com urgência.
Elaborado pela pasta de Saúde há seis anos, o guia traz diretrizes sobre uma alimentação adequada e saudável, e enfatiza a recomendação de que as pessoas prefiram alimentos in natura ou pouco processados nas suas refeições diárias. Por serem alimentos nutricionalmente “desbalanceados”, os ultraprocessados devem ser consumidos com moderação, e sendo evitados sempre que possível, em prol da saúde. E assim na composição nutricional desbalanceada inerente à natureza dos ingredientes dos alimentos ultraprocessados favorece doenças do coração, diabetes e vários tipos de câncer, além de contribuir para aumentar o risco de deficiências nutricionais, O pedido de alteração do documento pelo Mapa foi enviado pouco menos de dois meses após a ministra realizar reunião com representantes da indústria de alimentos cuja pauta era justamente a revisão do guia alimentar.
Na nota técnica enviada pelo Mapa ao Ministério da Saúde são feitas críticas a classificação de alimentos utilizada no guia, que separa os produtos em quatro grupos de acordo com seu nível de processamento, No primeiro grupo, estão os alimentos in natura ou minimamente processados (como vegetais, frutas, ovos, cereais); No segundo, estão os óleos, açúcar e sal. No terceiro, estão os processados, que inclui alimentos in natura que tiveram a adição de óleos, açúcar sal ou outras substâncias para aumentar sua durabilidade, como conservas. No quarto, estão os alimentos ultraprocessados, geralmente fabricados industrialmente e com substâncias como corantes e conservantes, em refrigerantes, biscoitos recheados e salgadinhos. e acordo com o guia, esses alimentos — ricos em açúcares, sódio gordura e outras composições industriais — devem ser evitados por aumentarem o risco de obesidade e outras doenças relacionadas a uma composição nutricional desbalanceada, como diabetes, problemas cardíacos e alguns tipos de câncer.