O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 29/05/2021
O livro “O cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a inserção dos alimentos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro afeta a sociedade como um todo. Assim, seja pela influência da mídia sobre a população na divulgação desses alimentos, seja pelo prejuízo causado à saúde pela ingestão exagerada desse tipo de produto, o problema permanece afetando silenciosamente grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que a publicidade realizada pela mídia sobre os ultraprocessados corrobora de forma intensiva para o entrave. Isso porque ela possui uma grande influência sobre a população, visto que, o consumo desses produtos é estimulado frequentemente por meio de anúncios chamativos e interessantes que buscam despertar no consumidor o desejo de consumir esses alimentos, provocando um aumento no número de vendas desses produtos. É possível perceber esse tipo de postura nas diversas propagandas de redes de fast food conhecidas, que são divulgadas continuamente nas mídias sociais, como Burger King e Bob’s, por exemplo. Nesse sentido, é preciso que medidas sejam tomadas para reverter esse quadro de manipulação.
Além disso, destaca-se que o consumo de ultraprocessados em excesso contribui para o agravamento do problema. Isso porque esses alimentos são produzidos a partir de diversas substâncias prejudiciais ao ser humano quando são ingeridas em grande quantidade, como gorduras, conservantes, corantes, sal e açúcar, por exemplo, e, além disso, esses componentes causam o aumento de casos de doenças como a obesidade e os problemas vasculares. Esse aumento pode ser analisado a partir de uma pesquisa feita com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estudo no qual foi mostrado que se o valor do quilo dos ultraprocessados aumentasse em 20%, os casos de obesidade diminuiriam em torno de 11,8% na população brasileira. Por fim, entende-se que o problema tende a persistir, caso não haja intervenção.
Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Ministério da Saúde conscientizar a população sobre os malefícios causados por uma alimentação com grande presença de ultraprocessados, por meio de campanhas, projetos nas instituições de ensino, fóruns e propagandas nas mídias sociais em geral, com o intuito de estimular a sociedade brasileira à possuir uma alimentação adequada e benéfica à saúde. Só assim o país tornar-se-á mais consciente e saudável.