O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 31/05/2021

A Constituição brasileira de 1988 assegura a todos os indivíduos o direito ao acesso físico e econômico à uma alimentação adequada. Entretanto na prática tal garantia é deturpada, devido ao impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro. Esse cenário nefasto ocorre não só pela pela falta de instruções sobre saúde alimentar e nutricional, mas também pela busca de rapidez e praticidade na hora de se alimentar. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.

Primeiramente, é importante salientar a escassez de políticas públicas que oferecem educação sobre saúde alimentar e nutricional. Conforme o Ministério da Saúde, cerca de 44,6% dos jovens possuem uma dieta irregular. Nesse cenário, os adolescentes são os que mais consomem alimentos industrializados, instigados pelas propagandas e buscando uma forma de alimentação mais rápida, comidas como salgadinhos e biscoitos são vistos como primeira opção. Tal comportamento é frequente, pois as instituições de ensino não orientam de maneira eficaz e didática sobre a importância de ingerir alimentos naturais, bem como a importância de conferir o valor nutricional dos produtos desejados.

Ademais, ressalta-se que a sociedade contemporânea está sempre em busca de otimizar o tempo de trabalho e acaba diminuindo o tempo das refeições, escolhendo por comidas “instantâneas” e fast-foods. As pessoas priorizam atividades domésticas, escolares e/ou de trabalho, focando todo seu tempo numa incessante busca por produtividade e resultados, assim deixando a alimentação saudável em segundo plano. Sem tempo para preparar um prato nutritivo, opta-se pelos alimentos pré-prontos, que, por serem industrializados, possuem baixo valor nutricional.

Sendo assim, o Ministério da Educação, por meio de escolas e universidades, deve criar um projeto socioeducativo que promova palestras com profissionais da saúde, como nutricionistas, para viabilizar o conhecimento sobre benefícios e malefícios dos alimentos ingeridos e, também, incluir aulas práticas com chefes de cozinha que ensinem receitas simples e rápidas com comidas saudáveis e ricas em bons nutrientes. Espera-se, dessa forma, que o assunto seja elucidado e que a sociedade esteja apta a minimizar o problema.