O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 28/05/2021

A partir de mecanização da produção, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para a manutenção do sistema capitalista. De acordo com Karl Marx, filósofo alemão do século XIX, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria: constrói-se a ilusão de que a felicidade seria alcançada a partir da compra do produto. Ao fazer uma analogia com a situação brasileira, percebe-se um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados e, consequentemente, de doenças. Tal circunstância também foi influenciada pelas propagandas alimentícias e a longa jornada trabalhista, uma vez que relaciona o bem-estar social com a ingestão de alimentos. Assim, é notório problemas tais como: a obesidade e o aumento de doenças cardiovasculares.

Em primeiro plano, é importante destacar que os avanços tecnológicos ocorridos no século XXI contribuíram para a progressão das propagandas alimentícias e, posteriormente, para a obesidade. Isso porque, tais propagandas influenciam a compra de produtos por parte dos indivíduos. Além disso, um outro colaborador para esse cenário é a rotina exaustiva de trabalho, pelo fato desses alimentos serem mais práticos de consumir. Isso ocasiona uma ingestão descontrolada e a obesidade, que é o excesso de gordura corporal. Tal fato pode ser evidenciado por uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2019, que revela que uma em cada quatro pessoas de 18 anos ou mais anos de idade no Brasil estava obesa.

Entretanto, a obesidade não foi a única consequência. Além disso, é evidente o aumento de doenças cardiovasculares, como o infarto e AVC (acidente vascular cerebral), já que esses produtos são constituídos pelo colesterol LDL, também chamado de colesterol ruim, que pode se acumular nas artérias e dificultar o fluxo sanguíneo para os órgãos. Com base nisso, de acordo com o artigo 196 da Constituição Federal do Brasil, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Dessa forma, a ausência de medidas vinculadas à saúde torna-se prejudicial para a nação.

Portanto, é evidente a necessidade de medidas mais eficazes que venham a amenizar tais impactos. Por conseguinte, cabe ao Governo, juntamente com o Ministério da Saúde, desenvolver campanhas e palestras sobre educação alimentar, principalmente ao público juvenil e adulto, por meio de verbas governamentais e parcerias com instituições educacionais, com a utilização das mídias sociais e meios impressos, como também a participação dos educandos e seus respectivos responsáveis legais, a fim de que assim possa haver melhor conscientização acerca da temática no ambiente social e escolar.