O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.

Enviada em 30/05/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Todavia, o alto consumo de produtos processados e ultraprocessados presente no padrão alimentar brasileiro caracteriza-se como empecilho para que tal garantia seja desfrutada pela população. Nessa perspectiva, é mister analisar a problemática em questão a fim de superá-la de imediado para que a sociedade tenha uma dieta saudável.

Em primeiro lugar, ressalta-se que as mudanças ocorridas no padrão alimentar da população brasileira têm como impulsionador direto a intensa industrialização ocorrida nas últimas décadas, visto que levou à frequente produção de alimentos industrializados e a praticidade de obtenção dos mesmos. Ademais, com a globalização, as redes de fastfoods se multiplicam cada vez mais na contemporaneidade, o que implica no aumento da cultura de consumo desse tipo de alimento. A lógica da comida muito rápida, barata e muito fácil de digerir e descartar, como lanches acompanhados por batatas fritas e outras frituras, além de refrigerantes, atrai diversos consumidores.

Em segundo lugar, é de extrema importância ressaltar que o consumo de ítens processados e ultraprocessados em substituição de alimentos não naturais, acarretam numa dieta com maior densidade energética, associado a um aumento na ingestão de aditivos químicos, açúcar, sódio, gordura saturada e trans e à diminuição do consumo de fibras. Isso reflete diretamente na saúde e bem-estar de quem os consome. Segundo dados divulgados pela revista “Exame”, quase 20% dos brasileiros estão obesos em virtude desse comportamento. Esse índice é considerado alarmante, uma vez que a obesidade aumenta os riscos dos indivíduos desenvolverem doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, colesterol alterado, entre outros problemas de saúde.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser adotadas com o objetivo de minimizar o consumo de alimentos ultraprocessados no âmbito social. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as mídias sociais, promover campanhas que propaguem as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira, indicando recomendações para se ter uma dieta saudável, além de alertar os riscos do consumo de ítens processados. Além disso, o MS deve criar um programa no SUS em que nutricionistas fiquem à disposição da população, auxiliando-a numa dieta saudável. Ademais, o Poder Legislativo deve promulgar uma lei que impõe às redes de fastfoods a usarem em seus produtos uma porcentagem de sódio e açúcares considerada aceitável, a fim de reduzir a ingestão deles. Dessa forma, a população desfrutará da garantia de direito à saúde e ao bem-estar social prevista na Declaração Universal dos Direitos Humanos.