O impacto dos ultraprocessados no padrão alimentar brasileiro.
Enviada em 31/05/2021
A necessidade de um alimento compacto, de fácil ingestão e um bom tempo de conservação no surgimento da Primeira Guerra Mundial deu início a criação dos alimentos ultraprocessados. Atualmente, o pensamento moderno e globalizado vem contribuindo cada vez mais para a ingestão desses alimentos não saudáveis, acarretando diversas complicações relacionadas à obesidade e outros problemas de saúde mais graves. Além disso, o uso de estratégias de propaganda por parte das empresas no mercado alimentício acaba sendo maléfico pois induz a população a comprar produtos ultraprocessados sem ao menos saber o que estão consumindo de fato.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2019, entre 2003 e 2019, a proporção de obesos na população com 20 anos ou mais de idade do país mais que dobrou, passando de 12,2% para 26,8%. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados está diretamente ligado à doenças relacionadas à saúde, uma vez que ingredientes como: sal, açúcar, óleo, gordura e, principalmente, corante, são adicionados aos alimentos com o objetivo de preservá-los e criar um sabor único e viciante aos alimentos, fazendo com que as pessoas consumidoras de tais produtos sintam uma vontade cada vez maior de consumi-los.
Em segundo plano, com o avanço tecnológico e a realização de estudos mais aprofundados no setor de marketing empresarial, as companhias voltadas ao setor alimentício estão cada vez mais aplicando estratégias para ‘’enganar’’ o cérebro de seus clientes, passando uma falsa impressão de que um determinado produto, mesmo sendo ultraprocessado, é mais saudável do que as outras opções do mercado. Textos como: ‘‘sem uso de corantes’’, ‘‘feito com óleo vegetal’’, ‘’não contém glúten’’, acabam divulgando uma mensagem errônea para o consumidor, fazendo-o acreditar que está cuidando da sua saúde de certa forma, ao ingerir alimentos que, teoricamente, não possuem produtos químicos capazes de trazer algum malefício a longo prazo na vida dessa pessoa.
Com base nos argumentos abordados anteriormente, é de interesse do governo federal, juntamente com o Ministério da Saúde, o aumento do preço dos alimentos ultraprocessados e a diminuição do valor dos alimentos mais saudáveis e orgânicos, com o objetivo da construção de novos padrões alimentares dos brasileiros, diminuindo os riscos de obesidades e o desenvolvimento de outros problemas de saúde mais graves. Além disso, a criação de propagandas com o objetivo de ensinar a população a como identificar as estratégias de marketing utilizadas no setor alimentício também garantirá a construção de uma sociedade mais bem informada sobre os riscos do consumo de alimentos industrializados e a importância dos alimentos considerados saudáveis.